
Quando me sentei diante da tv, já sabia o que me esperava. O mistão do São Paulo, com três zagueiros, dois volantes, o garoto Boschillia, meia ofensivo, pela lateral-direita, ou ala, como prefiram, e nenhum armador por vocação, estilo, técnica, habilidade ou inteligência, seria presa fácil da Ponte, uma equipe sem brilho, mais equilibrada em suas linhas e sem um centroavante fixo, que justificasse a inflação de zagueiros tricolores.
Resultado: em dez minutos, a Macaca já vencia por 1 a 0, gol de Roni, de cabeça, sem sair do chão, depois de tabelinha pela direita entre Rodnei e Biro-Biro. E, antes de meia hora de jogo, já havia metido uma bola na trave, graças, entre outras coisas, à presença de um meia como Renato Cajá, que não é nenhum Gérson, nenhum Ademir da Guia, Zidane ou que seja, mas conhece a função.
Já no final do primeiro tempo e no início do segundo, Boschillia foi deslocado para o meio, que é sua praia, só que a lateral-esquerda foi ocupada por Lucão, destro, em lugar do canhoto Edson Silva, lento demais para a posição. História do cobertor curto.
Mas, que funcionou de certa forma, pois o Tricolor, pelo menos, passou a jogar um pouco mais no campo da Ponte, até chegar ao gol de empate, aos 21 minutos, num corner que Paulo Miranda pegou de prima e de canhota: 1 a 1. Isso, depois de a Ponte ter desperdiçado duas chances de ouro para ampliar o placar.
E, quando o jogo caía naquele ramerrão, de repente, Thiago Mendes arranca desde o meio de campo, serve a Ewaldo na esquerda, que cruza na medida para Kardec concluir de peito para as redes: 2 a 1, a virada inesperada que salvou o São Paulo na hora H.
Coisas do futebol.