
Depois de tantas lambanças na escolha do sistema de jogo e na escalação do Manchester United, finalmente Van Gaal achou o time e o jeito de jogar mais adequado para os Diabos Vermelhos, na vitória por 3 a 0 sobre o Tottenham, no Teatro dos Sonhos que vive um pesadelo desde a despedida de Sir Ferguson.
Há muitos anos, Zagallo, num papo legal, dizia que o futuro apontava para o esquema 4-6. Isto é: uma linha de quatro defensores e seis meias e atacantes de técnica e habilidade, sem posições fixas do meio de campo pra frente.
Van Gaal não chegou a tanto, mas quase. Montou sua linha de defesa com Smalling e Jones, na dupla de área, e, nas laterais o ponta recuado Valência, e Blind, na esquerda, que é seu lugar de fato. À frente deles, Carrik, um volante que sabe marcar e passar bem, e, de resto, meias e atacantes capazes de manter a bola rolando com fluência de pé em pé e sempre em direção à meta adversária, com Herrera, Fellaini, Mata, Rooney e Young mais aberto pela esquerda.
Foi um verdadeiro massacre tático e técnico, convertido em modestos 3 a 0, dado o volume de jogo do United, com gols de Fellaini, Carrik e Rooney, que recebeu passe do inimigo, driblou dois e guardou.
Os Diabos Vermelhos não repetiram a avassaladora exibição na etapa final, mas seguiram melhores e mais equilibrados do que o adversário, que em nenhum momento conseguiu se articular devidamente, apesar de emergir a cabeça da areia movediça algumas vezes.
Mas, nada que ameaçasse de fato o United que se aproxima da zona da liderança, assim como o Arsenal, outro que acertou seu jogo ao gosto de Wenger – bola no chão, passe, envolvimento e incisão cirúrgica, sem pressa nem vacilos -, vencedor no sábado por 3 a 0 diante do Weste Ham.
Enquanto isso, os líderes hesitam. O Chelsea, embora merecesse ganhar, sobretudo pelo sufoco dos últimos minutos, só empatou por 1 a 1 com o Southampton, de ótima campanha, e o City, creia, perdeu por 1 a 0 para o rabeira Burnley, o que jogou uma pitada de sal na briga pelo título inglês.