
Foi duro não mergulhar no sono mais profundo ao longo de todo o primeiro tempo desse jogo, que se resumiu apenas àquele cabeceio de Centurión no poste do São Bento, a um passo do intervalo.
Já na segunda etapa, houve uma leve melhora por parte do São Paulo, que se estivesse participando de um torneio de passes errados levaria o troféu, com louvor. Salvou-se, porém, a custa de pênalti em Hudson, que entrara no lugar de Thiago Mendes, convertido por Rogério Ceni: 1 a 0, e foi tudo.
E olhe que o adversário era esse São Bento, que já foi bem melhor nos tempos do Metidieri.
Mas, que diabos está acontecendo com esse São Paulo, que tão bem terminou o ano passado, na condição de vice-campeão brasileiro? A estas alturas já era pra estar apresentando um jogo mais harmônico, seguro, envolvente, incisivo, enfim, e não esse futebol insípido, desorganizado, desprovido de caráter e força anímica.
Confesso que não sei. O elenco é composto por jogadores de nível técnico suficiente para jogar muito mais do que vem jogando. O técnico é de primeira linha, no cenário atual do nosso futebol. A camisa é gloriosa. Enfim, nada explica jogo tão anêmico e desarticulado.
O que falta é raça, dirá o torcedor, para quem esse é sempre o único diagnóstico em tempos de baixa de seu time. E entenda-se como raça aquela exibição de força expressa em carrinhos criminosos, chutões pra lateral, correria desenfreada, essas coisas inúteis mas pirotécnicas para os olhos apaixonadas de uma gente cada vez mais acostumada com a violência cotidiana.
Prefiro achar que falta mesmo é imaginação e ciência no jogo do Tricolor atual.
Além, claro, de muita ousadia, aquela capaz de romper com o lugar-comum e atirar-se ao ataque sem amarras, sufocando o adversário em seu próprio campo, seja lá o que Deus quiser. Livrar-se, enfim, do temor já atávico do contragolpe, esse sonífero que faz do nosso futebol em geral e o São Paulo em particular provocar mais sono do que emoção.
O Azulão dos tempos de Jair Picerni era o São Caetano, e não o São Bento, que é de Sorocaba.
Troquei os santos, desculpe. Já corrigi. Obrigado e mais desculpas.