
Depois da vitória no clássico com o Palmeiras, Robinho defendeu publicamente a manutenção do técnico interino, Marcelo Fernandes, que faz dupla à beira do campo com Serginho Chulapa, um dos tantos ídolos eternos do Santos.
Justificativa: ele já conhece bem o grupo, que, por sua vez, gosta do seu jeito de trabalhar.
Na verdade, dá-se muita importância ao técnico de futebol nestes tempos de tanta tecnologia aplicada no esporte, embora a imensa maioria dos nossos treinadores seja composta por empíricos, em geral ex-jogadores sem nenhuma ou com pouca base teórica. No máximo, fizeram o curso de Educação Física.
Nos últimos anos tive a oportunidade de conversar longa e descompromissadamente com todos os grandes nomes dessa área e posso assegurar ao amigo que pouco ou nada sabem sobre a história do futebol, o processo de desenvolvimento dos esquemas de jogo etc. São práticos, cujos conhecimentos específicos foram forjados no dia a dia da função.
Uns são mais inteligentes do que os outros. Outros são mais sensíveis do que uns. Há os que sabem levar o elenco no papo; há os que são extremamente aplicados nos treinamentos. Uns têm a percepção para fazer as substituições certas na hora certa; outros são bambas em armar suas equipes para este ou aquele embate. E, por aí vai.
Como nosso insano calendário lhes dá pouco espaço para treinar, e nossa cultura recente não lhes permite ousar além do óbvio, na verdade, a coisa toda gira no bom ou mau relacionamento com os jogadores.
Logo, é muito comum a gente ver técnicos interinos obtendo melhores resultados do que os antecessores ou sucessores.
Mas, para o cartola, a mídia e a torcida, vale mais a imagem do que a prosaica realidade. Então, mesmo que seja essa dança interminável dos mesmos nomes com iguais resultados, o negócio é chamar alguém de nome firmado na praça.
Quebrando esse círculo vicioso, sempre surge alguém clamando por renovação. Resultado: o carinha fica ali por uns tempos, até perder um jogo ou dois, e lá vem a troca inevitável.
No caso do Santos atual, qual é a prioridade? Cortar gastos, reequilibrar as finanças arrasadas, como a maioria dos nossos clubes, grandes ou pequenos, mesmo porque atraso de salários no Brasileirão pode significar perda de pontos preciosos. Seu elenco não é a oitava maravilha do mundo, mas dá pro gasto, o suficiente para cumprir digna campanha ao longo da temporada. Entre outras coisas, é forte candidata ao título paulista, que não é nada, não é nada, mas sempre é um título a mais na gloriosa galeria do clube.
Com Marcelo Fernandes, pelo menos, o Peixe matará dois coelhos com uma cajadada: economizará uma boa grana de salários e manterá o elenco afinado com o treinador, que parece ser gente boa.
Aliás, no sobrenome e nas feições lembra um ícone da história do Santos: Antoninho Fernandes, meia de técnica irrepreensível nos anos 40/50, e técnico durante boa parte do auge santista, nos anos 60, sucedendo a Lula.
É gente nossa, diria o praieiro curtido na história de um clube que criou escola e sempre se nutriu dela, os célebres Meninos da Vila, que se renovam a cada geração.
Seria de bom tom, pois, a diretoria ouvir Robinho nesta hora.
Afinal, se alguém conhece os subterrâneos da Vila, esse é, sem dúvida, Robinho.
Sábias palavras….Parabéns !!! O Santos é grande demais pra ficar se arrastando por Dorival Junior etc….
Se eu não me engano, o Marcelo Fernandes é sobrinho de algum personagem que foi, no passado, importante para o Santos FC. Não sei se foi esse Antoninho aí.
Tambem não concordo com a efetivação de Marcelo Fernandes, acredito que ele não tem capacidade suficiente para levar o SANTOS a uma final e ganhar. Tambem não podemos pensar só no paulistinha temos o Brasileirão e copa do brasil, MAS a certas avaliações que temos de fazer: 1 o futebol brasileiro esta tão pobre que a diferença técnica entre os times é muito pequena, 2 o custo beneficio mais lucrativo para um clube nos dias de hoje é o desenvolvimento de sua categoria de base. 3 Acredito mais na força do grupo, na união das forças, no mesmo objetivo de cada um do que na vinda de dorival junior
Sabias palavrasssss, concordo com o ponto de vista, principalmente do ciclo vicioso que se criou na dança de técnicos, sempre os mesmos…
Ousar, tentar, reinventar.