
Ufa, não foi mole, mano. Foi o que suspirou o fiel ao louco do lado quando o juiz apitou o fim do jogo lá em Buenos Aires, e o placar estampava o glorioso 1 a 0 para o Timão.
Mas, era mesmo de se esperar esse cenário, num estádio vazio de torcedores mas prenhe de expectativa. Afinal, o San Lorenzo sabia muito bem que precisava ganhar em casa de um adversário direto pela classificação à próxima fase da Libertadores. E partiu pra cima do Timão logo de cara. E quase abre a contagem, naquele cabeceio de Blanco, penetrando entre dois zagueiros alvinegros, em bola alçada por Romagnoli, o craque do time.
O Corinthians, por sua vez, plantou-se lá atrás, naquela proverbial formação de duas linhas de quatro intercalada por um cabeça de área – no caso, Ralf -, que muitos consideram um achado moderno, embora mais antiga do que andar a pé, e ali ficou à espera de uma brecha para contra golpear.
A única chance veio naquele cruzamento de Danilo da direita para Elias, sempre ele, chegar de surpresa para cabecear e o goleiro defender.
Bem, daí em diante, repete-se a cena de costume como na Quarta-Feira de Cinzas do trovador antigo: os argentinos pressionando, e os brasileiros se defendendo com fervor e muita fé. Aquela que empurrou para o pé do poste de Cassio a finalização de Matos, ele e as redes. Idem, quando, na cobrança de corner, o mesmo Matos desviou de cabeça bola que passa raspando a trave.
Ainda mais precavido, Tite, então, aproveita a contusão de Mendoza e reforça sua marcação de meio de campo com Petros. E não é que, logo em seguida, lá pelos 20 minutos do segundo tempo, Elias dispara, bola que bate e rebate, e finaliza de direita para estabelecer o placar de 1 a 0?
Era tudo o que o Timão desejava, embora nem esperasse, pelo andamento do jogo. Isso, sem falar nas duas últimas chances de ouro dos argentinos, que, pelo jeito, não contaram com as bênçãos papais en esta noche triste de Buenos Aires.
Consta que foi vingança de São Jorge, que perdeu a auréola de santo tempos atrás, mas segue fazendo milagres até hoje.