Robinho, Tardelli e Neymar, huummm…

AFP
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Gostei da convocação de Dunga para os amistosos contra França e Chile, com exceção das ausências de Everton Ribeiro e Ricardo Goulart. Dunga explicou que os dois não estão em plena forma física lá na China. Mas, o fato é que Goulart, ainda no domingo, meteu três gols pela sua equipe.

Por outro lado, acho altamente interessante a perspectiva de se ver um ataque brasileiro com Robinho, Tardelli e Neymar, três azougues, hábeis e incisivos, sem posição fixa, infernizando as defesas adversárias. E, se Dunga ampará-los com Luiz Gustavo, Elias e Oscar ou William, mais os apoios de Danilo, pela direita, e Marcelo, pela esquerda, teremos um time jogando verdadeiramente o tal futebol moderno, muito próximo daquele que praticávamos por aqui antes de sucumbirmos à síndrome do contra-ataque e de tantas retrações resultantes.

Isso pode estabelecer um padrão no time brasileiro que nos livre da presença obrigatória de um centroavantão típico, que tanto entrava a dinâmica de uma equipe de futebol.

Ah, mas Robinho, embora esteja jogando bem pelo Santos, tem 31 anos, não chegará à próxima Copa.

É verdade. Mas, querer montar uma Seleção Brasileira pra daqui três anos é uma utopia, pois o futebol é como um caleidoscópio que, ao girar, vai formando novas composições de imagens. Quem está bem hoje pode chegar à Copa caindo pelas tabelas e vice-versa.

Já cometemos trágicos equívocos por conta dessa mania de fechar o grupo e outras bobagens do tipo.

Se não for Robinho, poderá ser Lucas, atacante de perfil semelhante, ou outro qualquer que surgir até lá.

O que importa, nesse caso, é o conceito.

Aliás, vale lembrar que a coisa começou a dar certo para Mano quando adotou esse princípio, pouco antes de ser demitido.

Novidade mesmo foi a convocação do lateral-direito Fabinho, atualmente no Monaco, jogador revelado pelo Flu, que passou pelo Rio Ave de Portugal, pelo Real Madrid B, e está jogando muito bem no Campeonato Francês. Alto, veloz, habilidoso, tem apenas 21 anos. Vale a pena vê-lo em ação com a camisa canarinho. Vai que dá…

Na zaga, temos os três que se revezam no PSG: Thiago Silva, David Luís e Marquinhos, mais o Miranda, que segue sendo fundamental no Atlético de Madri.

Convocação equilibrada, sem nenhum outro craque excepcional a não ser Neymar, mas que pode dar samba, sim, Sinhô*.

* Para os mais jovens, Sinhô era o apelido de JB da Silva, pianista e compositor, um dos pioneiros na criação do samba brasileiro, na primeira metade do século passado, justamente quando o nosso futebol começou a moldar seu ritmo e estilo, hoje aprisionado em esquemas defensivos.

4 comentários

  1. Prezado Alberto Helena,

    Como a Copa América será em 2017 e a do Mundo em 2018 e até lá muita coisa pode mudar,prefiro aproveitar teu blog e alegrar aqueles que ainda têm memória e reverenciar e
    reconhecer personagens que iniciaram a história de nossa música na primeira metade do século passado,pois oportunidades como as tuas são raríssimas.
    José Barbosa da Silva – apelidado de “Sinhô”(1888-1930) e Francisco Alves – apelidado
    de Chico Alves ou Chico Viola e também “o Rei da Voz” (1898-1952).
    O cantor foi talvez o principal intérprete de Sinhô,e segue a letra de um dos sambas gravados em duas oportunidades intitulado “Ora Vejam só!”,a primeira pelo sistema mecânico em 1927 e a segunda pelo sistema elétrico em 1928,:-

    Ora vejam só
    A mulher que eu arranjei
    Ela me faz carinhos até demais
    Chorando
    Ela me pede, “meu benzinho
    Deixa a malandragem se és capaz”

    A malandragem eu não posso deixar
    Juro por Deus e Nossa Senhora
    É mais certo ela me abandonar
    Meu Deus do Céu, que maldita hora

    A malandragem é um curso primário
    que a qualquer é um bem necessário
    É o arranque da prática da vida
    Somente a morte decide ao contrário.

    Saudades do nosso Brasil brasileiro!

    1. Boa lembrança, Mosqueteiro. A propósito, o amigo sabia que esse samba foi motivo de discórdia entre Sinhô e Heitor dos Prazeres, que reclamava sua autoria.
      Certa vez, quando Sinhô descia de um bonde, Heitor o peitou e a resposta entrou para a antologia das frases da malandragem brasileira: “Samba, meu velho, é que nem passarinho. É de quem apanhar primeiro”.
      Abraços

  2. Prezado Alberto Helena,

    Não sabia desta discórdia com Heitor do Prazeres,mas sim que houve um desentendimento
    com Donga pela autoria do samba “Pelo Telefone” de 1917.
    Abraços.

    1. Meu caro Mosqueteiro, o amigo mexeu num vespeiro, despertando no cronista o pesquisador e crítico musical sepultado há mais de quarenta anos.
      A questão sobre o primeiro disco gravado no Brasil com o título de samba, Pelo Telefone, gira em torno do fato de que ele não teria sido apenas de autoria de Donga, Ernesto dos Santos, que, em seguida, acrescentou a parceria do jornalista Mauro de Almeida, o Peru do Pé Frio, em 1916.
      Mas, sim, fruto de uma autoria coletiva, em que entravam, na sua composição Sinhô, Pixinguinha, João da Baiana, Mestre Hilário, Jovino, aquela turma que participava das festas na casa da Tia Ciata, ou Aciata, como querem alguns, na Praça Onze, Rio. E, que, na verdade, nem samba era, era maxixe ainda.
      A propósito, o genial Catullo da Paixão Cearense, que era maranhense, diga-se, pleiteava esse privilégio com seu Caboca di Caxangá, cujo título na gravação de 1913 era batuque brasileiro, embora, de fato, fosse uma embolada, gênero que mais tarde seria eternizado por Minona Carneiro e meu saudoso e querido amigo Manezinho Araújo. É que, em algumas partituras da época, aparecia o título de samba, que alguns especialistas acham ser uma derivação de semba, umbigada, em iorubá.
      Aliás, Caboca de Caxangá foi soprada aos ouvidos atentos de Catullo por seu parceiro ignorado, o grande violonista nordestino João de Pernambuco, que, até sua morte, reclamava a autoria do mítico Luar do Sertão.
      Mosqueteiro amigo, não mexa com os mortos, que eles voltam para assombrar-nos.
      Um forte abraço

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