O pragmático Timão: 2 a 0

Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

Lavei o rosto com água fria, pinguei colírio nos olhos, limpei cuidadosamente as lentes dos meus óculos e me muni de uma lupa virtual para encontrar algum traço da tal modernidade tão apregoada pelos papagaios de plantão nesse Corinthians que venceu o Linense por 2 a 0, na noite desta quarta-feira.

Nada. Nem uma leve sugestão. O que vi foi o mesmo Corinthians dos últimos três, quatro anos, na sua melhor forma: um time eficiente, sólido na defesa, determinado na marcação e esperto nos raros momentos em que ousa atacar. Ou melhor: contra-atacar, pois foi assim que construiu o placar em Lins – uma velocíssima escapada de Mendoza pela esquerda, seguida do disparo fatal, e uma infiltração de Petros pela direita, que serviu Love, o chute, o rebote do goleiro e o ponto final de Petros.

Terminado o primeiro tempo, lá estava estampado nos números da tabela comparativa um claro equilíbrio entre Linense e Timão, em todos os quesitos, da posse de bola aos tiros a gol.

Nos primeiros doze minutos do segundo tempo, o Linense acuou o Corinthians em seu campo de tal forma que havia nove corintianos, afora o goleiro, a partir da linha intermediária para trás. Só Wagner Love no círculo central.

Se o amigo quiser cunhar o atual Corinthians de pragmático, eficaz, bem treinado, quase intransponível lá atrás, e perigoso no contragolpe, tudo bem. Assino embaixo.

Mas, moderno, no sentido que se dá a esse termo hoje em dia, nem que a vaca tussa, com todo respeito.

O jeito moderno de jogar bola, expresso, por exemplo no futebol apresentado de hábito por Barça e Bayern, requer, antes de tudo, domínio da bola e dos espaços no campo ofensiv0. É jogar sem deixar jogar. É ter a bola a seus pés, envolver o adversário e criar chances de gol, uma atrás da outra. É trocar passes inteligentes e constantes, e quando perder a bola, atacá-la já lá na frente, não recuando o time todo para seu campo.

O resto é eufemismo, jogo de palavras, não de bola.

 

 

10 comentários

  1. O time joga melhor com Jadson, Renato Augusto e Elias tabelando. Foi assim nos dois jogos que o Corinthians deu esse ar “moderno” que estão falando.

    Só que os vícios do Tite, em não tentar matar o placar, segue e sempre vai segui-lo. Isso e a gratidão eterna por alguns jogadores, não vai mudar, por mais que mascarem que eles foi “estudar” futebol lá fora.

    Se tivesse mesmo aprendido alguma coisa de diferente, jamais colocaria juntos Petros e Ralf no mesmo time. Ambos têm fortes características defensivas e acertam muito poucos passes de profundidade. Petros até tem um pouco mais de habilidade, e jogaria “bem” de primeiro volante, mas de meia, jamais. Das raras vezes que ele vai ao ataque, ou toca de lado, ou recua a bola.

    Se quer usar um volante com bons passes, que use o Cristian, que nos últimos anos atuou muito bem como meia. Mas isso é pedir muito para um técnico que em toda a vida só montou times pra primeiro não tomar e depois tentar fazer um golzinho.

  2. Caro Alberto Helena,

    Faço parte de um grande público que concorda com o que você escreveu em um de seus
    últimos blogs intitulado “Tite na real”. É possível que o ano sabático vivenciado por ele em 2014 tenha sido útil em muitos aspectos,mas não o transformou e nem o transformará
    em um técnico diferente do que sempre foi,e é claro,sem demérito algum ao seu trabalho.
    Mas a realidade atual do futebol brasileiro – que aliás já se arrasta desde há alguns anos,
    nos faz lembrar a velha frase do saudoso Oto Glória que dizia “que não se faz omelete sem ovos”,pois exportamos o que produzimos de melhor como matéria prima futebolística
    e ficamos com o fundo do tacho.
    Em um simples exercício de simulação mental,como seria o trabalho de Ancelotti,Wenger,
    Guardiola,Mourinho e tantos outros rotulados como Top em uma equipe brasileira?
    No caso específico do Corinthians que ontem “goleou” o Linense,quem se ocupa do
    setor de criatividade que nos velhos tempos chamávamos de “meia armador”?
    Quantos lançamentos ou “enfiadas de bola” que deixem os atacantes na cara do gol
    os previsíveis Elias,Renato Augusto ou até Jadson conseguem fazer em um partida ?
    E o que podemos esperar dos espartanos Ralf,Bruno Henrique e Petros?
    Que tal imaginar o atual Corinthians de Tite com um meio de campo formado por
    Roberto Belangero,Luisinho e Rivelino ou então Zenón,Sócrates e Biro Biro ou mesmo
    com Vampeta,Rincón e Ricardinho?
    Também sou daqueles que opinam que a grande maioria dos técnicos do futebol brasileiro
    estão desatualizados e mal preparados,mas convenhamos que mesmo os melhores estão
    com dificuldades de fazer um simples omelete.
    Abraços.

    1. Alberto,você fazer uma comparação com o Barcelona e Bayer, é demais.
      Lá estão os melhores jogadores do mundo.
      Se um jogador não agradar, vão buscar outro para substituir, custe o quanto custar.
      Será que se o tite fosse o treinador dessas equipes, com tempo para poder mostrar as suas taticas, também não faria as suas equipes dar show?
      No Brasil, isso é impossível com os jogadores que por aqui estão.
      Mesmo porque os jogadores estão treinando e pensando em ir jogar em outro países para fazer o pé de meia.
      Até para China estão indo os nossos jogadores, imagine.

  3. Futebol moderno tem que ser mostrado num campeonato moderno.

    Campo ruim, tabela ruim, horário ruim, regulamento ruim, arbitragem ruim, nivel técnico ruim…

    ai não tem jeito de mostrar nada.

    Campeonato Paulista não é parâmetro para analisar.

  4. Com todo o respeito, mas o querido jornalista não entende nada de tática, nem que a vaca tussa. Preste atenção nas triangulações que o time efetua, especialmente quando tem os meias e os atacantes titulares em campo. Definir que para ser moderno precisa ser “igual” ao Barça ou ao Bayern é ingenuidade. Jornalista, antes de comentar sobre tática em futebol, deveria aprender a observar as linhas descritas pelos passes dos jogadores, as formas geométricas que elas tomam, e não acompanhar SOMENTE A BOLA, igual muito zagueiro cabeça de bagre faz e 99% dos jornalistas (despreparados) também fazem. Vamos prestar atenção no posicionamento dos jogadores que formam o triângulo na troca de passes rápida, isso é o básico…

  5. Helena, desculpe discordar, início de temporada, time reserva, pois alguns titulares não jogaram: Fábio Santos, Sheik, Jadson e Guerreiro, ai vem você falar em pragmatismo? Para né, nem Barcelona, Real, e Bayer conseguem manter a mesma eficiência em todos os jogos, vide a UEFA, passam cada aperto com times considerados de menor expressão… Portanto caro Helena, esperemos um pouco mais para ai sim vermos se mudou algo ou não!! Abraços!

  6. Caro Helena
    O Jadson não foi para a China e o Corinthians deixou de receber quase 5 milhões de reais, Agora se o contrato dele não for renovado, em junho ele pode assinar um pré-contrato com qualquer clube e aí adeus Corinthians. É preciso que os dirigentes estejam, atentos.

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