O que nos disse a noite de quarta-feira sobre o futuro mais imediato do Trio de Ferro mais o Peixe? Não disse nada, que noite não fala, responderá o gaiato de plantão. É verdade. Mas, dela o cronista pode extrair algumas sugestões a respeito.

Por exemplo: o progresso natural do Palmeiras já está comprometido pelo soar impaciente das cornetas verdes. Isso tanto pode acelerar o processo como atrasá-lo e até mesmo desandar a maionese do técnico Oswaldo de Oliveira. Uma estupidez que, infelizmente, faz parte do dia a dia do futebol brasileiro.
Entre outras coisas, porque o treinador terá de montar pra valer esse time já durante a disputa do Paulistinha, com a introdução de Arouca e Valdívia, deixando, por razões burocráticas, Cleiton Xavier só para o Brasileirão.
Ah, mas são só dois ou três jogadores, meu! – exclamará o corneteiro amigo.
Sim, só três. Mas, três absolutamente essenciais. Três jogadores de altíssimo nível técnico que podem mudar de vez a cara do Palmeiras, sobretudo num futebol tão carente de jogadores desse porte. Num time de craques, dois ou três fora não contam muito. Mas, num time de mediano pra bom, como a maioria dos nossos, significam praticamente tudo. Ainda mais em se tratando de jogadores da área de criação, justamente onde o atual Palmeiras patina.
Quanto ao Santos, uma surpresa agradável ver que a bola flui com facilidade do meio de campo pra frente, sobretudo quando Robinho está presente. Atrás é que a coisa pega, embora a defesa peixeira, diante de um ataque respeitável como o do São Paulo, tenha conseguido resistir bem.

Falando em São Paulo, a surpresa foi exatamente no sentido contrário: está demorando demais, apesar da invencibilidade no campeonato e de bons, quando não excelentes, momentos ao longo da competição até aqui, para encaixar, como gostam de dizer os treinadores.
Por isso mesmo, Muricy, de olho no jogo de quarta contra o Corinthians, neste fim de semana, já vai apressar as entradas do zagueiro Dória e do atacante argentino Centurión. São duas posições que estão deixando careca o meu mui estimado Mura: a zaga pela esquerda e o companheiro veloz lá na frente de Luís Fabiano. É ver no que dá.
Mesmo porque o Corinthians vem aí de crista alta, embora sem Guerrero, o homem-gol que faltou no jogo lá em Manizales.
Já praticamente montado desde a temporada passada, pra não recuarmos ainda mais, com uma organização defensiva afiada e sob o incentivo daquele bando de loucos (falo do torcedor comum, não dos bandidos), tudo conspira a seu favor nessa arrancada inicial da Libertadores.