Tem que pagar, meu!

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press
Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Ainda bem que a presidente Dilma vetou aquela indecência contrabandeada na calada da noite por um deputado a serviço dos cartolas, emenda que nada tinha a ver com o corpo do projeto aprovado pelo Legislativo, estendendo por vinte e quatro anos o tempo de pagamento dos clubes das dívidas previdenciárias e congêneres. Sem nenhuma contrapartida. Isto é: se não pagar, cobra do Abreu.

Antes de mais nada, é preciso dizer que eles não afanaram esse dinheiro uns dos outros, nem dos próprios clubes. Esse dinheiro foi sonegado de nós, cidadãos que pagam seus impostos e cumprem seus deveres junto à sociedade e as leis que a regem.

Se os governos brasileiros aplicam devidamente esses impostos arrecadados, é outro departamento. De qualquer forma, algum desse nosso rico dinheirinho volta em forma de benefícios sociais ou investimentos em infraestrutura. Longe do que a sociedade brasileira exige e necessita, mas sempre é mais do que nada.

Todos sabem que os nossos clubes estão falidos, fruto de uma bruxaria inexplicável, pois nunca arrecadaram tanto como nos últimos tempos.

Recebem muito, não pagam e mesmo assim vivem no vermelho, oferecendo ainda por cima um espetáculo deprimente em campo. Não há nenhuma contrapartida. Nada.

E ainda não querem responder pelo malfeito crônico?

Fosse eu presidente da República e já estaria acionando o Imposto de Renda, a Polícia Federal e todo o aparato disponível para escarafunchar a vida desses cartolas e de seus antecessores, os responsáveis pela dívida monstruosa que eles assumiram conosco, o Brasil como um todo. Implantaria uma gigantesca rede de auditoria nos clubes brasileiros e tiraria uma radiografia real, transparente, do que acontece em suas entranhas. E mandaria a Fifa às favas, que essa questão transcende os limites de ação da entidade mater do futebol mundial.

Quem não deve não teme. Mas quem dever terá de pagar no rigor da lei. Só isso.

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