Bola de Ouro e outras fora

AFP
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Como se esperava, deu Cristiano Ronaldo, que cumpriu no ano passado uma temporada extraordinária, plena de títulos e recordes de gols, pelo Real. Na Copa, soçobrou com o resto da sua modesta equipe, entre outras coisas, porque vinha de grave lesão.

E lesão foi o que tirou de Messi, nesse ano, a chance de levar pra casa mais uma Bola de Ouro da Fifa e do France-Football, embora o craque argentino tenha sido eleito injustamente o melhor jogador da Copa, torneio em que Robben levou de lavada. Apesar disso, Messi seguiu quebrando recorde atrás de recorde, pois se trata de um dos maiores gênios da bola de todos os tempos. Assim como Ronaldo Cristiano também tem seu nicho no Panteão dos melhores da história. E quem diz isso é um cara que viu os maiores dos maiores nos últimos sessenta anos – este humilde escriba.

O que me incomoda nessa premiação da Fifa não é tanto saber se o prêmio do melhor é justo ou não. Mas, quais os critérios? E que colégio eleitoral é esse? O mesmo que é capaz de produzir esse absurdo de escalar na Seleção do ano sem um autêntico lateral-esquerdo, só para arrumar um lugar para três zagueiros de área – Thiago Silva, David Luís e Sérgio Ramos? E que escolhe Iniesta, em seu pior ano nos últimos anos, como meia, no lugar de James Rodriguez? E que esquece Yayá Touré, o mais completo jogador do mundo há pelo menos três anos?

Quanto à escolha do melhor treinador, a ausência de Guardiola entre os três melhores é um verdadeiro acinte. E a escolha de Löw, como o vencedor, uma impropriedade. Sim, foi campeão do mundo dirigindo a Alemanha. Mas, demorou para fazer o óbvio no time, durante a competição – passar Lahm do meio de campo para a lateral-direita, reforçando a criação, quando a Alemanha gaguejava no início do torneio e essa mudança era clamada por todos desde o início. Um vacilo desses numa competição curta e decisiva é imperdoável.

Enquanto isso, Ancelotti pegava um Real fragmentado, deu-lhe consistência e leveza, levantando o título espanhol e a Liga dos Campeões da Europa, com um futebol prático e belo, ao mesmo tempo. Não há, pois, como comparar o desempenho de ambos.

Quer dizer, a Copa tem um peso pra uns e outro para os demais. O mesmo vale para a Liga dos Campeões.

E a escolha do gol mais bonito? O mais bonito, pela engenhosidade e execução nem entrou na lista dos três finalistas – aquele calcanhar implausível de Ibra. Pela importância, o de James Rodriguez, contra o Uruguai, na Copa merece dentre tantos similares – matada no peito e giro no ângulo de fora da área. Na verdade, foi um festival de gols iguais, com exceção daquele da bela irlandesa, que matou de calcanhar, deu um chapéu e bateu sem deixar a bola cair. Ou daquela cabeçada esperta de Van Persie. Mas, nada daqueles gols mágicos, que você fica pasmo diante da  telinha sem acreditar no que viu.

Enfim, a festa foi bonita, com a deslumbrante e poliglota Abdo tocando o barco com elegância e graça, a não ser o musical protagonizado por um jovem suiço, cantando em inglês um roquinho mixuruca com direito àquele velho uuuh, uuuh, dos tempos dos The Platers.

2 comentários

  1. Alberto,
    Gosto muito de seus comentários e aprecio imensamente seus conhecimentos futebolísticos. Daí minha surpresa a ve-lo colocar no comentário sobre as “bolas foara” da Bola de Ouro o Real Madrid como campeão espanhol em 2013-2014. Que bola fora, mestre!!! O campeão foi o Atlético de Madrid que o foi o pequeno David entre os dois Golias do futebol espanhol!!!
    Abraço

  2. Uma correcção, quem ganhou o campeonato espanhol foi o Diego Simeone (que tambem foi finalista da Champions League) e não o Ancelotti. Na minha opinião o Simeone era o que mais merecia.

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