O céu cor de anil, gentil, do meu Brasil está decorado pelas nuvens do político mineiro: você olha e parece um gato; olha de novo e já têm a forma de uma galinha. Quero dizer; impossível prever o cenário real que a bola encontrará quando voltar a rolar entre nós.
Mas, há algumas indicações. Por exemplo, falando em mineiros, o que se vê nas Alterosas são duas baixas sentidas: Tardelli, no Galo, e Ricardo Goulart, no Cruzeiro. Ambos, tomaram o caminho da seda aberto por Marco Polo, o visionário, não o nosso de visão tão tacanha.
No caso de Goulart, apesar de tudo que o jogador significou para a Raposa na conquista do bi brasileiro, sempre haverá a chance de Marcelo Oliveira fazer uma mágica com algum menino da Toca. Já Tardelli, no Galo, a tarefa de Levir Culpi será redobrada. Não há no mercado jogador capaz de cumprir tantas funções em campo e com tamanha propriedade como esse jogador, que representava meio time do Atlético. Mas, pode vir a ser a grande chance do garoto Dodô, que pintou tão bem no final da temporada passada.
No Rio, o Botafogo conseguiu segurar Jefferson, sua estrela solitária, mas está fora da cena principal, enquanto o Vasco, que volta, ainda é uma incógnita. Assim como o Flu, que até agora conseguiu segurar Conca, mas perdeu uma pá de jogadores junto com a parceira milionária de tanto tempo. De todos, o Flamengo é o que parece em situação mais privilegiada, sobretudo por conta da gestão mais equilibrada que lhe deu certa folga para investir, comedido, no mercado.
No Sul, o Grêmio encolheu na esperança de sempre: que Felipão se vire com um elenco mais modesto, pois grana não há. E o Inter segue na mesma toada, ao som da gaita tradicional dos pampas, uma permanente expectativa que não se realiza por inteiro.
Por fim, aqui na Província, o gigante verde, até então adormecido, se ergue novamente, provocando pequenos abalos sísmicos na sedenta terra da garoa mergulhada nas trevas da Eletropaulo. Todo dia, um novo reforço veste a camisa do Verdão, enquanto uma nova expectativa surge no horizonte. Se, ao cabo das negociações, o Palmeiras concretizar todas as esperanças, terá um timaço: Prass; Lucas, Paulo André, Vítor Hugo e João Paulo; Arouca, Zé Roberto e Valdívia; Leandro, Rafael Marques e Dudu.
Contudo, calma nessa hora minha gente verde: é preciso dar um tempinho para o técnico Oswaldo de Oliveira botar a máquina para funcionar.
Por isso mesmo, o São Paulo parece estar mais bem preparado para o Paulistão que se avizinha, embora continue à caça de um atacante veloz para, ao menos, substituir Oswaldo que acaba de se mandar do CT da Barra Funda. Em contrapartida, reforçou suas duas laterais com Bruno e Carlinhos, dois pontos fracos do time há tempos, diga-se.
Quanto ao Corinthians, é um tempo de espera. Guerrero fica ou vai? E seu companheiro ideal, aquele atacante de velocidade de que tanto carece o Timão, a exemplo do São Paulo? Quem será o substituto de Anderson que partiu, deixando Felipe como única alternativa para um Tite que arregaçou as mangas e está fazendo o que pode para reagrupar esse time há tão pouco tempo campeão?
Aí, o amigo volta seu olhar para a Baixada e o que vê? Um Santos em pleno processo de desmanche: Aranha e Arouca entraram na justiça para receber os salários atrasados, o que significa ponto final na permanência de ambos na Vila. Além deles, fala-se com insistência na saída de Lucas Lima, o melhor do time no final da temporada.
Reforços? Elano, que há anos não consegue se firmar nem mesmo no Santos, e Ricardo Oliveira, cujo estágio atual é desconhecido.
Menos mal que lá ficaram Thiago Ribeiro, Gabigol e Geuvânio, além de Robinho, quem sabe.
Enfim, é isso aí.
PS: Um milhão de perdões pela bola fora no tópico sobre a Bola de Ouro, quando tirei de Simeone o título espanhol da última temporada, entregando-o ao Real de Ancelotti. Juro que pensei ter corrigido na primeira releitura do texto. Mas, levei um drible dos duendes da informática.