E a triangulação, meu?

Fernando Dantas/Gazeta Press
Fernando Dantas/Gazeta Press

Tenho visto uma pá de jogos da Copinha e, confesso, não me deixo impressionar pelas goleadas que os grandes do Brasil andam distribuindo por aí.

Isso é recorrente nesta fase do torneio, desde que ele passou a abrigar um sem-número de participantes vindos sabe Deus de onde, alguns deles viajando dias de ônibus até chegar às respectivas sedes em São Paulo, às vésperas da estreia.

E, se o amigo prestar atenção, verá que essas goleadas, em sua maioria, acontecem no segundo tempo, quando essas equipes abrem o bico, inevitavelmente.

Quanto ao garimpo de futuros craques, escopo principal da disputa, apenas três meninos me chamaram a atenção em especial: o meia, canhoto, Jorge, do Flamengo, o avante Caio, do Santos, e o centroavante João Paulo, do São Paulo, de boa técnica, incisivo, e de muita participação coletiva, ao contrário dos habituais cumpridores dessa função.

Mas, ainda há muito campo de observação até o apito final da Copinha.

O que, no entanto, me incomoda é observar a ação coletiva da maioria das nossas equipes, sobretudo, essas que andam goleando por aí.

Com exceção, talvez, do Inter, do Ituano e do Flamengo, que tocam a bola num nível mais razoável, os demais é um bumba-meu-boi, igualzinho ao que se vê entre os marmanjos. Uma sucessão infindável de passes errados, ligação direta entre beques e avantes, e tentativas isoladas deste ou daquele em carregar a bola até onde der, sem falar nas faltas e simulações, umas atropelando as outras.

Não sei que diabo fazem esses treinadores da base (a exemplo dos seus superiores) que conseguiram abolir dos nossos campos a essência, o fundamental no jogo da bola: a triangulação. Isto é: o jogador que estiver com a bola terá sempre duas alternativas de passe, uma de cada lado, mais à frente, formando um triângulo virtual no campo.

Isso é básico, elementar no futebol, desde que o mundo é uma bola no ar. Era assim nos tempos do Paulistano e é assim nos atuais do Barça, do Bayern, do Chelsea, do City, de qualquer time de futebol que mereça esse título.

Menos aqui, onde esse recurso elevamos ao nível de arte no passado. Aqui, o carinha domina a bola, levanta a cabeça e seus companheiros todos já se escafederam lá pra frente. Sem outras alternativa, lá vem o passe enfiado, longo, sempre interceptado pela defesa. Ou curto demais, ou longo demais. Daí, a razão de tantos passes errados. A bola não é trabalhada; simplesmente a turma se livra dela, em nome de uma falsa objetividade.

E não há uma alma no horizonte tupiniquim disposta a mudar esse cenário congelado no ar de um tempo fora do tempo.

 

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