O derby e a fúria dos elementos

AFP
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Tava aqui posto diante da tv vendo o Real envolver o Atlético no toc-toc, quando o dia virou noite no Grão Ducado de Ibiúna. Corri para tirar das tomadas todos os meus equipamentos e fui para a varanda envidraçada curtir a fúria dos elementos, ao som de uma caixinha de aço milagrosa, que abriga dezenas de gravações num desses piroquetes, como se chamam mesmo, ah, pen-drive. E de lá escapa a voz aveludada de Paulo Tapajoz recriando os versos e as melodias de Catulo.

Não o tribuno romano, pois acho que estou falando grego para os mais jovens. Falo do nosso bem brasileiro Catulo da Paixão Cearense, que, na verdade, era maranhense, poeta popular cujos versos iam aos céus, em preces de amor rebuscadas e comovidas, e desciam à terra mais verdejante das campinas no linguajar sertanejo.

Um alívio e um enlevo diante do troar dos trovões, raios, o silvo fantasmagórico do vento no telhado que fazia as árvores dançarem bêbadas quando não esquizofrênicas, num bailado desarticulado e surreal. O riozinho lá embaixo sumiu, assim como todo o cenário mais distante, envoltos numa névoa de água embravecida.

Quando o velho Pedro sossegou um pouco o pito, voltei à telinha e o derby madrilenho já ia lá pelos oito minutos do segundo tempo. E, logo depois, Sérgio Ramos comete aquele pênalti bobo que Raul Garcia converte. O que não arrefeceu o Real. Ao contrário, atirou-o mais à frente, até que, numa cobrança de escanteio, o Atlético aumentou para 2 a 0, praticamente definindo sua ida para a fase seguinte da Copa do Rei.

Bem, desculpe terminar assim abruptamente este papo porque novamente as nuvens se juntam sobre meu teto e tenho de correr para desligar tudo da tomada. Inclusive o cronista.

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