
Com a escassez de craques no nosso futebol, a incompetência crônica dos cartolas tradicionais e a queda de prestígio dos técnicos, que há anos andam em círculo na busca pelo tal equilíbrio, entraram em cena os cartolas remunerados. A última moda no futebol brasileiro é estender tapetes mágicos para essa nova casta de celebridades que não jogam, não treinam, nem se propõem a resolver os graves problemas financeiros dos clubes.
Cumprem uma função um tanto difusa, escondida nos bastidores, de onde emergem algumas informações ou simples fofocas, e cuja verdadeira avaliação de seu trabalho está restrita aos poucos que têm acesso a esses escaninhos dos clubes.
Hoje, por exemplo, o Palmeiras celebrou em grande estilo a chegada de Alexandre Mattos, o novo diretor de futebol remunerado do centenário e glorioso clube que acaba de passar mais um sufoco histórico no Brasileirão recém findo.
A turma de Minas garante que o moço fez um brilhante trabalho no Cruzeiro, bicampeão brasileiro.
Resumindo, esse trabalho consistiria em montar um elenco bom e barato, um prodígio, sem dúvida. Mas, pergunto: em que medida isso funcionou se comparado ao desempenho do técnico Marcelo Oliveira, que pouco antes havia quebrado um recorde mundial de invencibilidade com o Coritiba (recorde que o Real Madrid, de Cristiano Ronaldo e cia., deixou de alcançar neste fim de semana, guardadas todas as proporções dos adversários de um de de outro)?
Afinal, se reduzirmos a participação de Marcelo no campo das contratações a apenas um nome, este será o de Everton Ribeiro, cérebro e coração do time bicampeão brasileiro, eleito o melhor jogador do campeonato e tal e cousa e lousa. O mesmo Everton Ribeiro que saiu anonimamente da lateral-esquerda da base do Corinthians para se transformar num meia-armador de Seleção Brasileira nas mãos de Marcelo no Coritiba.
Bem, então vejamos o que tem a dizer a nova estrela da companhia, quais seus planos para elevar o Palmeiras à sua verdadeira condição histórica, que passes de mágica se escondem na cartola do novo dirigente? Aberta e encerrada a entrevista coletiva, e restou no ar apenas um festival de lugares-comuns, chavões, clichês, restritos a apenas numa vaga e óbvia promessa: vamos trabalhar vinte e quatro horas por dia para dar alegria ao presidente Paulo e ao torcedor palmeirense.
Longe de mim diminuir o nível de competência e os resultados obtidos por Mattos no Cruzeiro, mesmo porque desconheço a intimidade desse processo. Tampouco, condenar a existência dos tais diretores de futebol remunerados, teoricamente, gente mais bem preparada do que os antigos cartolas apaixonados, cuja paixão pelo clube, hoje em dia, se estende a outras áreas mais escuras.
Mas, creio que está havendo um certo exagero a respeito. Exagero que se estende à montagem das novas diretorias dos clubes brasileiros, um excesso de diretores, gerentes, superintendentes, auxiliares disto ou daquilo, um pessoal que não ganha menos do que a bagatela de 50 mil reais por mês, salários de fazer inveja à presidente da República. Isso, num futebol falido.
No fundo, no fundo, isso tudo me soa como mais uma tentativa de transferir responsabilidades. Antes, era o técnico; agora, o diretor remunerado, tudo revestido de um novo disfarce que costumam chamar por aí de modernidade.
Acho que estamos vivendo um novo momento no futebol,antes uma simples diversão para os torcedores,que tinham idolos aos montes,amantes do futebol arte e idolatria na camisa sagrada.
Hoje virou profissionalismo,capital,marketing,gestão,negocios com altos valores,empresarios,arenas,tvs ,imagem,lucro maximo,mas o futebol e jogadores não tão craques,medianos,salve uns 10 e olhe lá, todos querem fatiar este mercado milionário,então precisamos ter esses diretores que acompanham e dirigem o clube para este novo momento.
A pergunta é ,quem vai assumir se der errados as contratações como aconteceu em 2014 e passamos o sofrimento até ultimo minuto do ultimo jogo em outro campo na Bahia.
Precisamos nos acostumar com jogadores medianos ,esta geração não vai brilhar como outrora,acreditarei mais uma vez,pois não temos opções ou desligamos a TV.
Me desculpe Sr. Alberto … tenho maior respeito por ti.
Mas esse texto seu é arcaico! É de um pensamento totalmente antiquado…
Qualquer perna de pau no Brasil hoje ganha 50, 80 até 100 mil reais. Podemos identificar centenas! Hoje, em todo grande clube – clubes que na qual tentam a cada dia mais se aperfeiçoar e se atualizar as tendências do futebol moderno – tem no mínimo um Diretor e um Gerente de Futebol remunerados obviamente (nenhum gestor profissional trabalha de graça não é?). Qual é a grande empresa bem administrada que não é assim?
Comparar o Treinador de futebol com o Gestor me parece um pouco estabanado! O Treinador é subordinado do gestor na hierarquia da empresa. Eles não são pares.
Claro que antigamente não era assim, até por que estamos em 2014 … os tempos são outros.
Na Europa é assim! Na Alemanha e Inglaterra por exemplo é assim. Países que estão muito a nossa frente em questão de organização e gestão do futebol.
Agora questionar o salário de um gestor como o Mattos de 34 anos, administrador, que vai ganhar 80 mil no Palmeiras sendo que você tem cabeças de bagre como Marcelos Oliveira, Durval, Edson Silva, Felipe Menezes ganhando 100? 120? 150?
Proponho ao amigo Paulo Eduardo reler o texto. Não faço nenhuma comparação entre as funções de um diretor de futebol com as de um treinador. Apenas digo que o cartola maior está transferindo a responsabilidade, que ele jogava sobre o técnico, para o diretor remunerado. Quanto aos valores pagos a pernas-de-pau, assessores, diretores, treinadores e demais aspones é evidente que fogem à realidade do nosso futebol, todos eles, e isso está expresso no texto. Assim como está claramente expresso que considero mais adequado ter profissionais no lugar dos cartolas tradicionais. Leia, meu amigo, de cabo a rabo, linha por linha, sem preconceitos.
Um abraço
Sr. Alberto … o “cartola” que você se refere creio que seja o Presidente, portanto está correto o presidente transferir a responsabilidade ao Diretor de Futebol (remunerado/contratado). O treinador tem que se dirigir ao Gerente e depois Diretor. A responsabilidade do Presidente é do clube todo. Ao meu ver está correta a hierarquia. Como disse, os tempos mudaram. Os clubes brasileiros precisam se profissionalizar em todos os sentidos.
A comparação existiu, quando você cita a participação do Marcelo Oliveira comparada a do Mattos na montagem do elenco do Cruzeiro, sendo que na verdade, se não fosse o Mattos, o Marcelo nada faria. Estaria de mão atadas.
Abraço!
Para complementar mais, acho justo um Gestor, que estudou, fez estágio e se preparou muito para função (num mercado competitivo) ganhar lá seus 60, 80 mil. É uma posição de imensa responsabilidade, de pressão. O salário de um Diretor ou Vice-presidente qualquer em uma multinacional gira em torno dessas cifras.
O que não acho justo é o salário de muitos jogadores. Muitas vezes “grossos”. Sem falar que não sabem nem falar direito. Não sabem o que é ética, enfim … parecem mais amadores.
Prezados o que esta acontecendo do nosso futebol tudo tem a ver com a Lei Pelé, os empresários colocam os jogadores em um time grande para ser vitrine, olha o caso do Henrique, antes de jogar no Palmeiras ninguém conhecia fez 16 gols a metade de pênalti. Os donos de seus direitos federativos não quiseram mais emprestar e sim vender parte desses direitos pelo preço absurdo de quase 7 milhões de reais. Na minha opinião é um centro avante comum não vale o que seus empresários estão pedindo.
O Sr. está desmerecendo o recorde do meu Coritiba? Por que o Sr.também não leva em consideração o poderio financeiro e técnico de cada clube? Vencemos 24 jogos dentro de nossas limitações. Foram alguns jogos difíceis, alguns mais fáceis e duas vitórias sobre o arquirrival e um 6×0 sobre o Palmeiras. Não entendo este desmerecimento
Meu caro Adilson Przybylski:
Sempre me assombra a capacidade do torcedor de distorcer o que diz o cronista. Não desmereci ninguém. Ao contrário: citei o Coritiba de Marcelo Oliveira como um exemplo de superação. Quando me refiro ao Real Madrid tento apenas em uma linha estabelecer a relatividade dos dois feitos. Nada mais. Será possível?