Os nossos atentos professores, arquitetos dos craques emergentes, têm à sua disposição um arsenal de recursos tecnológicos nunca dantes visto: chips que devassam o menino desde suas medidas físicas à alma, sem falar nas estatísticas minuciosas sobre características, virtudes e defeitos e tal e cousa e lousa e maripousa.
Muito louvável, diga-se. Mas, até agora, procuro com lupa entre os mais de dois mil garotos que desfilam pelos campos da Copinha aquele que nasceu com a estrela na testa, predestinado a ser mesmo um craque futuro. Há tempo ainda, bem sei, e confio que um deles, de súbito, se revelará.

Enquanto isso, fico aqui me lembrando de uma das tantas histórias contadas pelo saudoso e folclórico João Avelino.
Certa vez, o João resolveu visitar seu amigo Cilinho, técnico da Ponte, acho, na época.
Encontrou-o na calçada em frente ao estádio, observando uma fila de garotos, que, um a um, iam dando voltas num poste.
João coçou a cabeça e perguntou ao amigo o que estava fazendo.
-Peneira, João, peneira. Estou separando o joio do trigo.
– Mas, como, assim?
– Isso mesmo. Mando o garoto dar uma volta no poste. E só pelo gingado sei quem dá pra coisa e quem não dá.
Pela peneira do Cilinho passaram dezenas de craques que nos deliciaram durante décadas.
O que dizer dos reluzentes e velozes computadores dos nossos professores de hoje?