E Deus salvou o Ano Novo da Rainha

AFP
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E Deus salvou a Rainha mais uma vez, ofertando aos seus súditos um início de ano jubiloso.

A emoção e a técnica correu pelos campos ingleses, veloz e revestida de belos lances. Como aquele gol de Mané, o africano que não mancha o nome do nosso lendário Garrincha: sem ângulo, meteu uma trivela de canhota, da direita, no canto oposto do goleiro, na vitória do Southampton sobre o Arsenal, por 2 a 0, em jogo lancinante.

Parece simples, mas vá fazer.

Esse gol, aliás, me remeteu de imediato aos anos 70, quando, treino encerrado no Morumbi, o quarto-zagueiro Bezerra – quem lembra aí levanta a mão- colocava a bola na linha de fundo da meta dos portões de entrada, descia dois degraus na escada que leva ao túnel, e, de canhota, fazia a bola girar pelo alto até entrar no ângulo contrário.

Desculpe, meu amigo, minha amiga, essas digressões, coisas de velho ainda sob o espírito do Natal.

Mesmo porque olhaí o que está acontecendo neste exato momento: uma goleada histórica do Tottenham sobre o líder Chelsea, em casa – 5 a 3! E que jogo! Se fosse o inverso, não seria nenhum absurdo, pois o Chelsea perdeu um caminhão de gols, além dos três marcados, todos com participação direta do belga Hazard, um driblador emérito que faria a diferença em qualquer época.

Mas, seria injusto pelo que jogou o Tottenham, sobretudo o artilheiro Kane, um garoto de 21 anos de idade, veloz, forte e tecnicamente bem dotado, e o armador Chadli, ao mesmo tempo impetuoso e cerebral.

Afinal, os azuis abriram o placar pra levar um troco de quatro. Diminuíram, mas tomaram o quinto antes de reduzir para o placar final, não sem antes perder uma infinidade de chances, uma delas com Ramires, cara a cara.

E que dizer do jogo que antecedeu a este, entre o vice, agora líder também, Manchester City e Sunderland?

Do mesmo jeito que havia feito na rodada anterior, o City abriu 2 a 0 no segundo tempo, mas permitiu o empate, desfeito logo em seguida. Foram três gols num vapt e vupt.

E aqui me permitam abrir um espaço especial para esse magnífico Yayá Touré, autor do segundo gol do City, pequena obra-prima de precisão num chute de média distância no ângulo.

Se Cristiano Ronaldo é o atacante com todos os recursos disponíveis a um craque dessa área no mundo e Messi o mais genial, Touré é seguramente o mais completo jogador de futebol da atualidade em todo o planeta. O Negão, além do porte físico invejável, que por sinal não reduz sua velocidade, tanto joga de zagueiro, de volante, de meia e de atacante, com a mesma desenvoltura.

Como zagueiro, atuou impecavelmente no Barça, quando chamado a cumprir tais funções: firme na disputa de bola e, com ela, uma saída primorosa. Como volante, marca e sai jogando de cabeça erguida e passe exato. Como armador, está sempre em posição de receber a bola e distribuí-la com ciência e exatidão. Como atacante, tem ginga e habilidade para se desfazer do marcador e chegar à linha de conclusão.

Além do mais, bate muito bem na bola, parada ou rolando. Que se pode exigir mais de um jogador de futebol?

Por isso mesmo, há muita razão quando ele reclama de nunca ter sido colocado na fita de chegada dos melhores do mundo, nas eleições periódicas da Fifa. Segundo Touré, é fruto de racismo enrustido. Não creio. Acredito mais na falta de percepção aguda dos eleitores. Caso similar ao de Robben. Mas, enfim…

 

 

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