Novo ano velho

AFP
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O ano termina como começou, anunciando o mesmo desfecho para o que se aproxima.

A inversão de comando da CBF, entre Marin e Del Nero, sugere a continuidade de uma gestão estúpida em todos os sentidos. O calendário continua insano, o que faz prever o baixo nível técnico dessa maratona de jogos no futebol brasileiro, intercalado pela Copa América, competição em que até o Brasil pode fazer boa figura, como o tinha feito antes do Mundial, na Copa das Confederações. Areia nos olhos da turma.

Por falar em Mundial, o vexame diante da Alemanha não abalou um milímetro a incompetência generalizada, e a única novidade é que temos um novo ministro dos Esportes: um político, pastor e radialista de quem o mundo do esporte brasileiro jamais ouvira falar.

Mas, também, pra que serve o Ministério dos Esportes no Brasil? De fato, para distribuir verbas públicas (leia, nosso rico dinheirinho) numa rede de vias obscuras cujo ponto de partida é o Tesouro Nacional e o destino só Deus sabe.

E, não adianta ficarmos aqui discutindo nomes. O último ministro era um político ligado no futebol, de passado distante respeitável, mas que se enredou nas tramas dos gabinetes e cumpriu pífia gestão. Assim como o fizeram esportistas famosos que ocuparam o cargo há pouco tempo, como Bernard do vôlei, Zico e Pelé. Estes últimos, pelo menos, mexeram na Lei do Passe, essa instituição obsoleta que devia ter sido mesmo banida, mas cuja sucessão merecia mais cuidados e competência.

O Ministério dos Esportes, gente, era pra ser um organismo vivo que estabelecesse e vigiasse políticas destinadas a estimular e normatizar a vida esportiva brasileira em todos os seus segmentos – desde a prática efetiva e constante na infância e adolescência, como um dos braços da saúde pública e da construção do autêntico cidadão, até a regulagem das relações entre os marmanjos das federações, clubes, empresários e investidores, nas esferas de alta competitividade.

Ninguém está propondo a interferência do Estado na iniciativa privada. No caso do futebol profissional, coisa do tipo intervenção na CBF, na marra, por parte do governo, nada disso. Mas, o governo pode e deve estabelecer regras de conduta, como o faz com as demais empresas de outros setores. É assim no mundo todo, até nos países de economias ainda mais liberais.

Com um detalhe. A CBF, embora seja a responsável pelo espetáculo futebol como um todo, limita-se simplesmente a cuidar da Seleção Brasileira e auferir todos os lucros que ela lhe proporciona.

Ora, a Seleção leva o nome e as cores do país. É isso que se vende lá fora e aqui dentro, não o escudo da CBF. E o que o Tesouro Nacional arrecada disso? Não seria o caso de o Estado brasileiro cobrar da CBF royalties ou coisa que o valha pelo uso indiscriminado de sua marca legal? E mais: cobrar da CBF também eventuais danos à imagem do país, em caso de incúria da entidade?

E os clubes, que acabam de receber do Congresso Nacional um aval para seguir lesando o fisco por mais duas décadas?

Os que pertencem à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro nunca receberam tanto dinheiro da tv e dos patrocinadores como nos últimos tempos. E o que fizeram com essa grana toda? Jogaram pela janela em contratos absurdos com técnicos e jogadores. Pelo menos, é o que está mais evidente.

O São Paulo paga por mês 2,3 milhões de reais a jogadores que nem frequentam mais o clube. O Corinthians acaba de pedir o equivalente a um agente de jogadores para pagar o décimo terceiro salário de seus jogadores e funcionários. E assim vai, entra ano, sai ano.

E a inércia paira nos céus do Brasil, como numa imagem congelada dos fogos de artifício da festa da virada, que se esmaece a cada celebração.

 

 

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