Surpresas, sim. Assombro, não.

AFP
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Não acompanho o suficiente o futebol destas bandas do hemisfério em geral para dimensionar as forças que os brasileiros enfrentarão na Libertadores, cujos grupos acabaram de ser sorteados. Mas, esse torneio tem sido pródigo, nestes tempos de baixa do nosso futebol, em nos causar amargas surpresas.

Nada, porém, que tenha contornos de fantasma ou bicho-papão, porque, se involuímos, técnica, taticamente e, sobretudo, animicamente, a evolução em países antes primários na prática do futebol, tipo Colômbia, Equador e Venezuela, por exemplo, ão foi tão grande assim, e nossos vizinhos temíveis – argentinos e uruguaios – também estagnaram.

Pra dizer com toda franqueza, desse balaio pode sair gato de qualquer cor, tamanho ou nacionalidade. Mas, não vejo nenhum tigre passeando nessa paisagem.

Há, sim, uma Raposa mais esperta, depois da conquista do bi brasileiro e do vexame na Libertadores passada. Sua chave, aparentemente, é a mais fácil dos brasileiros já definidos, pois enfrenta o Mineros, o Universitário de Sucre e o terceiro classificado do Peru ou o Huracán.

E há um Galo já curtido pela conquista desse torneio há dois anos e em plena ascensão, que enfrentará o segundo colocado da Colômbia, o tradicional Colo-Colo e o Atlas, do México, viagem cansativa. A questão é saber se o Galo terá Tardelli ainda, seu principal jogador, para tal disputa, já que correm por aí rumores de que o craque está pensando em fazer suas malas.

Quem, certamente, estará desfalcado de um jogador importante, pelo menos, é o São Paulo, que caiu no chamado grupo da morte, com San Lorenzo, o atual campeão da Libertadores, Danúbio do Uruguai e Corinthians ou Inter ou ainda o terceiro da Colômbia, isso será decidido nas partidas classificatórias.

Falo, claro, de Kaká, que, se não vinha bem nas últimas rodadas do Brasileirão, era um líder respeitado no grupo tricolor e foi essencial no arranque que levou seu time à vice-liderança do campeonato. Assim como pode perder Pato também, outro que refluiu nos últimos tempos mas que foi decisivo no instante da recuperação depois da Copa.

Quer dizer: o São Paulo tem de ir rapidamente às compras e acertar na mosca ao escolher seus reforços: um zagueiro de alto coturno, um meia de habilidade e pelo menos um atacante veloz e eficiente. Não é fácil achar no mercado artigos tão raros, não.

Enfim, o cenário da Libertadores, neste momento, está envolto na névoa das tantas dúvidas. Mas, nada de assombrar e tirar o sono dos brasileiros.

 

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