Pesquei duas pérolas do futebol neste fim de semana, entre tantas espalhadas pelos gramados do mundo – uma falsa como nota de quinze reais e outra de brilho e formato autênticos.
Esta veio dos pés e dos pulmões do lateral-direito Bruno Peres, ex-Santos, hoje com a camisa avinhada do Torino, no clássico de Turim, contra o Juventus.
Bruno recolheu a bola no bico direito de sua grande área, e disparou com a bichinha colada aos pés. Pogba, Vidal, o time todo da Juve foi ficando pelo caminho, até o brasileiro alcançar o bico esquerdo da área inimiga de onde disparou um balaço cruzado, no canto oposto ao do goleiro. Um prodígio de velocidade, equilíbrio, domínio de bola e precisão no chute final. Afinal, o cara fez tudo isso num trajeto de quase cem metros, praticamente o campo todo.
Já a pérola vergonhosamente falsa foi produzida pela pusilanimidade do juiz do jogo entre Flamengo e Vitória, em Manaus, sábado à noite.
Eis que Dinei invade a área rubro-negra e sofre não um pênalti, mas dois de uma vez. Por cima, é puxado pelo ombro por um zagueiro; por baixo, é aterrado por outro. O juiz, a cinco passos, no máximo, visão limpa, mandou seguir o jogo. A indignação de Dinei foi tamanha que ele partiu pra cima do juiz, peitando-o, quase uma agressão, passível de vermelho na hora. Pois, Sua Senhoria, certamente com o sentimento de culpa corroendo-lhe a alma, deixou pra lá.
Na sequência, o gol do Flamengo e a desintegração do Vitória que saiu de campo com 4 a 0 no lombo. Tão doído, que Richarlyson foi aos microfones informar que naquele exato instante decidira abandonar o futebol de vez.
Não é pra menos.