
Bem que Kaká merecia uma despedida mais festiva no Morumbi. Afinal, ali foi seu berço, de onde partiu sob vaias para se transformar no maior jogador do mundo há sete cabalísticos anos. E voltou para restaurar um time que ia assim, assim, na temporada. Jogando fora de suas características, circulando pelo campo todo, costurou um time desmembrado e esteve no centro do salto que elevou o São Paulo de posições modestas à vice-liderança do campeonato.
É verdade que, depois de sofrer nova lesão, ao regressar à equipe, jamais conseguiu repetir tal performance. Mas, aí o time já havia engrenado a ponto até de se aproximar do líder Cruzeiro com, chances de disputar o título.
Mais ou menos o que aconteceu nesta tarde de domingo no Morumbi, quando o Tricolor apenas empatou com o Figueirense por 1 a 1, em jogo equilibrado, cujo placar seria normal não fosse a lambança cometida por Rogério Ceni, justamente o maior ídolo da história do clube que acabara de anunciar o Dia do Fico.
Aliás, curiosa essa história dos ídolos. Um dos atuais da equipe tricolor é o lateral-esquerdo Álvaro Pereyra, uruguaio de muita raça, como adora o torcedor de hoje em dia, e ralo futebol. Pois, foi sua providencial saída que permitiu ao São Paulo chegar ao seu gol de abertura, num cruzamento exato da esquerda de Reinaldo, seu substituto, para o cabeceio fatal de Edson Silva.
Depois… Bem, depois, houve aquela intervenção de Rogério Ceni, quase na sua intermediária. Providencial, pelas circunstâncias, mas, suicida na sua execução: ao dar um chapéu longo demais, perdeu a bola para Mazzola que só teve de levantá-la em direção à meta desguarnecida.
Mas, como dizem, Rogério tem crédito pra mais vinte anos.