
Curioso que um regulamento criado para desestimular a retranca, tanto do visitante quanto do time da casa, acaba tendo efeito inverso. Refiro-me, claro, ao tal gol qualificado do time visitante em torneios como a Copa Sul-Americana, cuja semifinal se encerra nesta noite de quarta-feira para São Paulo e Nacional de Medelin.
O São Paulo precisa vencer, de preferência por 2 a 0 para definir o caso no tempo regulamentar. Mas, se tomar um golzinho, o placar necessário começa a virar goleada.
Então, um time moldado na busca do gol, com todos os seus Kakás, Gansos, Kardec, Pato, Luís Fabiano e Michel Bastos, já entra em campo acendendo uma vela para Rogério Ceni fechar o gol e para que os zagueiros e volantes impeçam o contragolpe fatal. Quer dizer: precisando olhar pra frente, só tem olhos pra trás.
Quanto ao Nacional, basta se retrancar lá atrás e jogar apenas por uma bola, como gostam de dizer os especialistas hoje em dia.
Quer dizer: o dispositivo criado para detonar as retrancas, no fim, dependendo das circunstâncias, acaba estimulando esse mal, amém.
Como? Se o Tricolor tem bola pra mudar esse cenário, enfiando logo de cara dois ou três nos colombianos? Claro que tem. Mas, terá nervos pra tanto? Essa é a questão.
E a resposta só teremos quando a bola começar a rolar no Morumbi.