
Conto no meu livro sobre o Palmeiras – A Eterna Academia – as peripécias vividas por dois diretores do Palestra Itália que por volta dos anos 20 subiram a Serra do Mar para encontrar lá no pico da cordilheira a cabana onde Belfort Duarte havia se refugiado de uma tuberculose nascente.
Belfort, que virou símbolo e troféu de fair-play, era dono do América da Capital e tinha o Parque Antárctica em comodato cedido pela famosa fábrica de cervejas. O Palestra queria porque queria convencê-lo a ceder seus diretos ao clube emergente. E, conseguiu.
Durante anos, antes da construção do Pacaembu em 1940, o Parque foi o grande estádio de futebol de São Paulo, batendo o antigo Velódromo.
À época, sofreu remodelações sucessivas até inaugurar o célebre Jardim Suspenso, um primor de aconchego, mas, ainda, um estádio secundário, sobretudo depois da construção do Morumbi pelo São Paulo. Isso, sem falar na luta para manter o Parque diante das investidas do São Paulo, à época da Segunda Guerra Mundial, entre outras, razão por ter mudado o nome para Palmeiras. Assim como vários clubes, lojas, bares e restaurantes que antes ostentavam nomes italianos, alemães ou japoneses, os três países unidos sob a égide do Eixo, inimigos da pátria e da humanidade naquele tempo.
Agora – dizem os que lá estiveram -, volta a ter um campo digno de todas as exigências modernas, bate de frente com o Itaquerão e deixa no chinelo o Morumbi. e, mais: até prova em contrário, foi erguido só o dinheiro da iniciativa privada, o que é um alívio para nosso castigado bolso de contribuinte.
Nesta noite, há a festa de inauguração com um jogo oficial pelo Campeonato Brasileiro. Pena que o Palmeiras de hoje nem passe perto do Palestra de Bianco, Ministrinho e Heitor, dos tempos pioneiros do Parque, muito menos de todas as Academias que se sucederam ali desde a conquista da Copa Rio, em 51, autêntica Copa do Mundo de Clubes.
Mas, tudo indica, será a pedra fundamental de um novo Palmeiras, imponente como já foi ao longo de sua história e como reza seu hino vibrante..
enfim a casa torna, belo estádio, agora só falta montar um time que ganhe, chega de sofrimento, não desanimemos, e que deixe o NOBRE trabalhar em paz.