
Minas está onde sempre esteve e de onde não arredará pé jamais! – exclamou o político mineiro, ao ser instado a escolher este ou aquele lado da política brasileira. Não sei ao certo se a frase folclórica foi de Benedito Valadares ou de José Maria Alckmin, dois esteios do PSD da chamada República Populista, sempre ligada ao governo, qualquer que fosse; uma espécie de PMDB atual. Só sei que ela queria dizer o que disse: não deixaria o poder de jeito algum.
Era a política de resultados, algo semelhante ao futebol brasileiro atual: fora as ideologias, o que importa é estar no poder.
Não estou me referindo, claro, à corrida presidencial, onde dois mineiros disputam o título de presidente da República, não, onde tudo muda para nada mudar, como diria Lampedusa.
Nos campos da bola, Minas, na verdade, está além de onde sempre esteve, já há duas temporadas.
Na anterior, o Galo levou a Libertadores, com um futebol encantador. E o Cruzeiro sagrou-se campeão brasileiro, também jogando uma bola redondinha, ofensiva, ao gosto do brasileiro.
E, agora, mesmo, o Cruzeiro segue líder, depois de cumprir um primeiro turno exemplar, deixando para o Galo o melhor desempenho do returno, ou algo parecido.
E aqui vale falar um pouco dos treinadores das duas equipes – Marcelo Oliveira e Levir Culpi.
O mineiro Marcelo foi um meia do Atlético, do Botafogo e da Seleção hábil e incisivo. O paranaense Levir um beque sem brilho, mas de boa técnica do Coritiba, Botafogo, Colorado etc.
Ambos têm algo em comum: são dois sujeitos inteligentes, bons de serviço. Marcelo, como bom mineiro, mais contido ao expressar suas emoções; Levir, mais vivido, costuma misturar diversão com emoção.
O fato é que os dois fazem seus times praticarem um futebol agradável, ofensivo, gostoso de se ver e, ao mesmo tempo, eficiente.
São, enfim, dois treinadores que vem poderiam servir de exemplo para os demais, como gente e como profissionais. E, sobretudo, pelos conceitos que imprimem em seus respectivos times, sem ranço e sem rancor.