O 9, grosso e fino

Mowa Press
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O que há de comum entre os atuais Peixe, Galo (dois dos times de melhor campanha no segundo turno do Brasileirão) e a Seleção de Dunga, que deu sinais muito positivos na última apresentação?

Respondo de imediato: todos abdicaram, por várias razões, de um centroavante típico, enfiado na área, em nome da versatilidade e mobilidade de seus respectivos meio de campo e ataque.

Fato que vem servindo para nossos jovens e bravos comentaristas apelarem para mais um chavão, quando se referem ao estilo do centroavantão desprezado neste momento: não há mais lugar para o centroavante de antigamente no futebol moderno.

Que antigamente é esse, meu? O futebol brasileiro tem mais de cem anos de existência, divididos em uma infinidade de fases.

Refere-se o amigo, por acaso, a Charles Miller, o filho de ingleses que trouxe para o Brasil as primeiras bolas de couro e implantou por aqui esse esporte bretão, segundo a história oficial? Pois sabe de onde a expressão chaleira, aquela firula de um pé passando por trás do outro? Vem de charleira, em homenagem ao primeiro nome do nosso pioneiro centroavante e goleador, o Charles Miller.

Ou estará falando de seu sucessor, o primeiro astro nacional dos campos, o Pelé dos anos 10/20, Arthur Friedenreich, um tipo longilíneo, hábil, de passadas leves como um tigre, o que lhe valeu o apelido dado pelos argentinos de El Tigre. Centroavante e artilheiro-mor, essencialmente técnico, de acordo com toda a crônica da época e o testemunho dos antigos que colhi na infância distante.

Estaria, então, o amigo falando de Leônidas da Silva, o Diamente Negro, o Homem de Borracha, sucessor de Fried, que reinou durante os anos 30 e 40? Pois, Leônidas era meia-esquerda de origem (assim disputou a Copa de 34. diga-se), rápido, plástico, habilidoso e voraz na área inimiga, onde só entrava para definir. Coisa meio de Romário, cujo sonho era terminar a gloriosa carreira como meia.

Ademir de Menezes, outro meia, que herdou de Leônidas a camisa 9 da Seleção, também meia de origem, pouco ficava lá na zona do agrião, como diziam os saudosos locutores de seu tempo, pois seu maior trunfo era o rush, a arrancada cá do meio de campo com a bola colada em seu pé esquerdo. Algo parecido com o que fazia o nosso Ronaldo, o Fenômeno, com a destra.

Já Rei-Reinaldo era a arrancada curta e a inteligência do tamanho do Mineirão.

Ao contrário de Careca, também um meia deslocado para o comando do ataque, que preferia vir bailando la conga, ou tereré, diante do zagueiro, antes de desfechar o tiro certeiro.

Quem mais? Heleno de Freitas? Craque, segundo os que o viram em campo. Servílio, o Bailarino? O apelido já diz tudo. Coutinho, que usava munhequeira branca pra se diferenciar simplesmente de Pelé? Pagão, de tão refinado futebol?

Se for listar todos os centroavantes que fizeram história no futebol brasileiro por sua técnica sofisticada e sua movimentação constante não termino este ano.

Nesse caso, não há antigos, nem modernos. Há o centroavante grosso e o fino da bola, que pode ser um gordinho de fino futebol, como o nosso Walter, que voltou ao Fluminense para dar sentido à vida tricolor.

 

 

 

 

 

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