Messi e a beleza de um recorde

messi_640_afpMessi está a dois gols de se transformar no maior artilheiro da história do campeonato espanhol, recorde que certamente quebrará, com sobras, nesta temporada que mal se inicia. Isso, num campeonato que já teve os maiores atacantes do planeta, em vários períodos, tipo Di Stefano, Puskas, Kubala, Maradona, Cruyjff, Ronaldo Fenõmeno, Romário, pra citar uns poucos e talvez mais expressivos, sem falar no rival de agora – Cristiano Ronaldo.

Alguns, por menos tempo do que Messi, é verdade. De qualquer forma, é uma marca estupenda, sobretudo porque não se trata de um desses goleadores específicos – aquele cara que fica lá na área, esperando a sobra para aumentar a estatística pessoal.

Nada disso. Ao contrário: é um craque da cabeça aos pés, um dos melhores que vi em campo nos últimos sessenta anos: dribla, passa, é emértio cobrador de faltas, e finaliza com uma facilidade incomum. Mal se contunde, encara qualquer adversário, é duro na queda, tem arranque prodigioso com a bola nos pés, e uma visão rara de jogo.

Além disso tudo, é disciplinado, fora e dentro do campo, e, numa sociedade de imagética como a nossa, que cultua as celebridades de forma exacerbada, mantém-se discretamente sob as luzas dos holofotes.

Na verdade, a mim pouco importa o recorde, em si. Prefiro mesmo é ver Messi, toda semana, em campo, comprovando que, sim, é possível ainda unir a arte de jogar bola à eficiência. Isso é que importa e deveria servir de exemplo para o mundo.

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