
Antes de mais nada, parabéns aos meus queridos Carlos Cereto e Alexandre Oliveira, extensivos às deusas Denise e Vanessa, que bolaram e colocaram no ar um elucidativo e providencial Arena Sportv sobre a decisão recente da Fifa de banir os terceiros nos direitos econômicos dos jogadores de futebol.
Quer dizer, se no Brasil tudo acaba em pizza, a Fifa resolveu acabar com a pizza dos jogadores, fatiados em tantos pedaços quanto a imaginação dos cartolas e o dinheiro dos investidores podem chegar.
O diabo é que a Fifa tomou a decisão, obedecendo a pedido da Uefa, mas ainda não estabeleceu os itens do cardápio. Isto é: sem regulamentação – ou seja: como se procederá nesse caso -, restou apenas circunavegar em torno do tema, o que os participantes fizeram com brilho, diga-se.
O fato é que, no presente, os clubes brasileiros são visceralmente dependentes de empresários e investidores. Coisa de 80 a 90 por cento dos clubes brasileiros, em média, são obrigados a dividir com terceiros os direitos dos jogadores que atuam com suas camisas, sejam revelações, sejam novos contratados.
Na Inglaterra, esse número é um enorme ZERO, pois, lá, já é proibida essa participação.
E, agora compare o futebol que se joga na Inglaterra com o praticado aqui.
Claro que a culpa não é do investidor, e sim dos nossos cartolas que se sucedem há gerações gerindo porcamente seus clubes, federações e CBF, criando dívidas que os obrigam a recorrer a terceiros para manter em atividade seus times de futebol.
Nem creio muito que, apesar das medidas adotadas pela Fifa, a coisa mude de figura aqui. Apenas, haverá algumas maquiagens jurídicas, papéis que mudam de nome, mas cumprindo o mesmo desígnio.
A não ser que, como propôs o Toninho Nascimento, jornalista agora lotado na Secretaria do Ministério de Esportes, uma nova legislação especificamente sobre o futebol seja adotada em breve tempo no Brasil. Mas, para tanto, vai precisar da inestimável colaboração dos clubes e da CBF.
A mesma CBF que, por exemplo, acaba de anunciar que não mais responderá por escrito às consultas dos clubes sobre a regularização de jogadores inscritos. É pra que isso não sirva mais adiante como documento oficial de defesa dos clubes, em caso de discrepâncias burocráticas que acabem nas barras do tribunal esportivo.
Dá pra acreditar?
Pois é, esse cheirinho que o amigo está sentindo no ar é mesmo de pizza assando no forno da nossa velha malandragem. Na embalagem,o antigo dístico: Não me comprometam!