
Cena final do capítulo desta noite de quarta-feira: o Tricolor de joelhos à beira da estrada e a Raposa levantando poeira lá na frente.
Sim, porque, ao cabo da rodada, o Cruzeiro voltou a manter a distância de antes do clássico do último fim de semana justamente contra seu mais próximo perseguidor, o São Paulo.
Isso porque, pouco antes da queda tricolor em Curitiba, o Cruzeiro, num Mineirão delirante, meteu 2 a 0 no Atlético PR, com gols de Alisson e de Marcelo Moreno, apesar de o adversário ter afivelado a mais deslavada retranca, com uma linha de cinco na zaga e mais quatro à frente desta.
Foi o suficiente para retardar a abertura do placar, embora só desse azul no gramado verde. Mas, insuficiente para evitar a derrota inevitável. Pois, se a intenção do Furacão era a de enervar o Cruzeiro, que vinha de derrota para o São Paulo, caiu do burro, já que essa Raposa do sereno Marcelo Oliveira não perde a pose nem aqui, nem na China.
Já o São Paulo, ao contrário: sem Kaká, o craque que galvaniza a equipe com sua movimentação constante e sua liderança, seu futebol caiu no lugar comum dos times que tentam, mas não chegam.
Chegou uma única vez, com Michel Bastos, o substituto de Kaká, abriu a contagem, ainda no primeiro tempo, para, no segundo, ficar ali naquele chove e não molha. Como o Coritiba não ameaçava também, parecia que a coisa iria correr assim até o fim.
Contudo, de repente, deu a louca no Coxa que, em dois minutos disparou a virada, com Helder, que acabara de entrar, e Joel. Só depois disso é que o tricolor acordou. Muricy mexeu bem no time, colocando em campo Luís Fabiano no lugar do volante Denílson, e Osvaldo, no de Pato. E, quando parecia que chegaria ao empate, eis a bola longa com Joel disparando sozinho até chegar às redes: 3 a 1.
Nada para desesperar. Apenas mais uma frustração que pode perfeitamente ser apagada ou ampliada contra o Corinthians, no próximo fim de semana.
Frustração maior quem sofreu foi o Flamengo, que, no Pacaembu, vencia o Palmeiras por 2 a 0 no primeiro tempo, e levou o empate no segundo.
Justamente, o oposto da euforia que tomou conta da torcida alviverde, talvez o fator mais importante na virada heroica, pois, embora o Verdão continue namorando o descenso, um jogo desses, feito de pura entrega, injeta boa dose de esperança aos seus adeptos, apesar da expulsão infantil de Valdívia, na sua volta depois de longo período de ausência.
Ainda mais que o empate poderia ter sido gloriosa vitória se o juiz invalidasse o primeiro gol irregular do Mengo, ou marcado aquele pênalti a favor do Verdão.
Meno Male, suspiraria o velho Beppo, de camiseta branca, calças com grossos suspensórios, montado a cavalo na cadeira instalada na rua, em frente à sua casa no Brás da minha infância.