Geração que se perde

AFP
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O amigo leu o blog do Flavinho Prado? Se não leu, vá lá, que eu espero.

Já leu? Então, vamos em frente. É a história de dois garotos da Zona Leste de São Paulo discutindo futebol no metrô. Não, nada de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Juventus ou Cruzeiro. O papo era sobre os reforços deste ou daquele time europeu para a temporada que mal se inicia por lá.

A cada dia, as chamadas redes sociais anunciam a criação de torcidas brasileiras de clubes ingleses, espanhóis, alemães, italianos até belgas. É inevitável, pois a rapaziada liga a TV no sábado de manhã e vara o dia assistindo jogos emocionantes, bem elaborados, com estádios cheios e tal e cousa e lousa e maripousa, algo absolutamente sedutor numa sociedade de imagética e moldada para que se usufrua até a raiz as coisas boas da vida.

Aí, na tarde de domingo, zapeia para o mundo Brasileirão. Que decepção, aquela bolinha sofrida sendo disputada a unhas e dentes no meio de campo, em que nada acontece, com as exceções de praxe. Mas, exceções são exceções, meu.

E os caras aqui vêm com aquela conversinha fiada de que, ah!, lá são dois, três times grandes disputando o título, enquanto no Brasil são doze, treze.

Pois, sábado, tive o prazer de me extasiar com aquele jogaço entre Arsenal e Manchester City, que terminou em 2 a 2 quando poderia ter sido o dobro.

Isso mesmo: dois gigantes da Europa, para justificar a tese dos professores.

Só que acabo de assistir, nesta tarde de segunda, a outro 2 a 2 que também merecia ter sido dobrado no placar. E não havia nenhum grande em campo. O jogo era entre o Hull City e West Ham, dois modestíssimos clubes ingleses, embora por lá todos passem do centenário de vida e tenham torcidas para encher seus respectivos estádios.

E que jogo, meu amigo! Lá e cá, o tempo todo. Bola trabalhada, sempre em direção à área adversária. Dos quatro, por baixo, dois golaços. Bolas nas traves, goleiros fazendo defesas difíceis, tudo isso que dá a um jogo o verdadeiro traço de espetáculo.

Pena que nossos professores não veem nada além do próprio umbigo. E, se olham continuam sem ver.

Quer ver? Tempos atrás, um festejado treinador brasileiro, que não nomeio porque tenho por ele estima pessoal e respeito profissional, voltou da Inglaterra e me disse com todas as letras:

– Falam tanto desse Fàbregas (à época, no Arsenal). Não vi nada de especial. Um jogador comum.

E assim toca a banda verde-amarela, um hino antigo, escrito em braile.

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