O Manchester United, desde a chegada do holandês Van Gaal, vinha batendo cabeça no escuro, apesar da fortuna gasta em contratações nesta temporada.
Neste domingo, fez-se a luz e os Diabos Vermelhos puseram o QPR na roda. Com marcação avançada e muito toque de bola comandado a partir do volante Blind, meteram 4 a 0 num placar que poderia ter sido de 8 a 0, sem exagero.
E o qual foi o toque mágico que produziu tão profunda transformação num time que, há uma semana, gaguejava em campo e não conseguia fazer a bola fluir, como manda o figurino?
Sim, o amigo pode apontar para o estreante Di Maria, que deu um show de armação, dribles e passes exatos, além de um gol de falta daqueles que enganam a todos – atacantes, defensores e goleiro.
Isso, sem dúvida, fez a diferença técnica. Mas, a tática, foi a de Van Gaal se livrar dessa sucata dos três zagueiros, que muitos, inadvertidamente, saudaram como feliz retorno na Seleção Holandesa da Copa no Brasil. Elementar, meu caro.
Lá, foi um equívoco tático que o talento inexcedível e a inspiração singular de Robben mascararam, pois a Holanda, apesar de ter chegado à semifinal com a Alemanha, não fluía, a não ser naquela bizarra goleada contra uma Espanha em declínio.
Aqui, no United, a roda não girava. Passou a girar a partir da volta aos quatro zagueiros, com os dois laterais (o brasileiro Rafael e o argentino Rojo) apoiando muito, quatro jogadores de habilidade no meio de campo (Blind, Herrera, Di Maria e Mata) e dois atacantes de escol- Rooney e Van Persie.
Sim, claro, o QPR é bem fraquinho para os padrões do campeonato inglês.
Talvez, como advertiu durante a transmissão da ESPN, o excelente Mauro Cezar Pereira, diante de adversários mais fortes, Van Gaal tenha uma recaída. O que só demonstraria medo de um time cuja história gloriosa se fez sob o signo do destemor.