
Claro que o clássico nacional entre São Paulo e Cruzeiro é o jogo da rodada deste domingo. Não só porque possa vir a ser o ponto de eventual inflexão na disputa pelo título, que vai se aninhando no colo da Raposa. Mas, sobretudo, porque se prenuncia uma partida de futebol bela e emocionante, com muitos gols, coisa rara no nosso futebol dos últimos tempos.
Afinal, são as duas artilharias mais efetivas do torneio. E, pela formação das duas equipes, um jogo lá e cá desenha-se mais provável do que aquela chatice habitual da bola sendo dividida e maltratada no meio de campo.
É verdade que o empate interessa muito mais ao Cruzeiro, que, assim, manteria a mesma distância significativa em relação ao vice, o próprio São Paulo. Aliás, mesmo que o São Paulo vença, dada à regularidade da Raposa, não quer dizer que necessariamente a mudança nos pontos da tabela venha a ser fatal.
Afora isso, se há algo mais admiro no técnico Marcelo Oliveira é a maneira serena e convicta com que encara esse negócio do futebol. O Cruzeiro, sob sua orientação, voltou a se identificar com sua história, seu perfil. É um time essencialmente técnico, com vocação irrefreável ao ataque. E duvido que Marcelo abra mão desse estilo, cultivado com êxito desde o ano passado.
O que pode acontecer, como o próprio Marcelo já advertiu em recente entrevista, é o adversário, por sua técnica e sua tática, obrigar o Cruzeiro a recuar. Isso pode perfeitamente ocorrer diante desse Tricolor de Souza e Denílson, dois volantes que saem bem para o jogo, dos laterais ofensivos (Auro e Álvaro Pereira, embora, neste caso, Michel Bastos seja mais eficiente) e do quarteto ofensivo de alta eficiência – Kaká, Ganso, Kardec e Pato.
A voz corrente é a de que uma hora o Cruzeiro terá de perder, isso é do jogo. Se for o caso, nada menos improvável que essa hora soe diante desse Tricolor.
Contudo, vale lembrar um pequeno detalhe: o Cruzeiro, que tão bem trabalha a bola no chão, desenvolveu, nos últimos jogos, jogadas mortíferas pelo alto, veneno puro para a defesa tricolor, que sofre demais nessas circunstâncias.
Então… Então, nada, meu. É deixar o champanhe no gelo, e ficar de camarote assistindo a esse espetáculo, como se fosse o último do campeonato.