Kaká, Ganso e Cia

Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

No domingo, o Mesa Redonda, sob o comando do meu querido Flavinho Prado, recebeu a visita de Souza, volante tricolor.

Imitando o Wanderley Nogueira, parceiro de velha data, pincei duas declarações de Souza que me parecem muito pertinentes.

A primeira delas sobre a importância de Kaká no atual vice-líder do Brasileirão, o primeiro na corrida à caça da Raposa, embora ainda muito distante de alcançá-la. Importância que transcende o campo de jogo, onde Kaká mudou de estilo.

No lugar daquele meia ponta-de-lança de rush incontrolável, incisivo e goleador dos tempos em que foi eleito o melhor do mundo, o que vemos é um Kaká solidário, mais armador do que artilheiro, que circula por todas as latitudes do campo e prestando ajuda inestimável na marcação.

Souza adverte, porém, para outra faceta de Kaká, até então, insuspeitada e que veio, certamente, com a idade e a experiência acumulada: a do líder, que, em vez de bater palma para o erro do companheiro, cobra-o severamente em campo e fora dele.

– Isso não acontecia antes no São Paulo – garantiu Souza.

O que, por sinal, explica, em parte, também a evolução tanto de Pato quanto de Ganso.

Outra questão levantada pelo volante tricolor no programa da Gazeta, esta, sobre Ganso, um detalhe que costuma passar despercebido pela maioria dos nossos coleguinhas:

– Quando a gente pensa em duas alternativas para uma jogada, ele pensa em cinco.

É o que produz o passe inesperado, exato, que faz de Ganso o maior assistente do Brasileirão, estatisticamente falando. Aliás, Muricy já me havia dito algo parecido sobre Ganso quando dirigia o Santos.

E, a meu convite e com a anuência de Souza, reprisamos o lance do primeiro gol, logo depois do Godói esculhambar o zagueiro Durval que, em vez de atacar Ganso, no passe para Kardec que resultou no primeiro gol tricolor contra o Sport.

Durval, que me perdoe o  Godói, com toda a sua experiência, supôs, como qualquer outro beque o faria, que o passe de Ganso seria para o meio da área, claro. Eis que Ganso contrariou a lógica, coisa típica do craque, e devolveu de primeira para Kardec, na direita, desarmando toda a defesa adversária.

Enquanto a turma fica execrando a falta de combatividade de Ganso, aqui na minha poltrona prefiro extasiar-me com seus lances de pura genialidade, enxutos, concisos, exatos, surpreendentes.

O que me faz lembrar Zidane, quando o craque franco-argelino desembarcou em Turim.

A imprensa italiana, intoxicada pelos vapores do cattenaccio, do pega-pega, marca-marca, previa fim breve do craque no futebol italiano: era lento, não marcava ninguém, aqui não sobrevive.

Não só sobreviveu como elevou a Juventus a outro patamar, deu títulos ao Real, um europeu e outro mundial à França e até hoje suspiramos de saudade por uns dos maiores craques da história do futebol.

Não estou aqui dizendo que Ganso é um novo Zidane. Mas, quase. Sobretudo se, como ele mesmo já disse, se sentir cada vez mais confiante nos joelhos que tanto atrasaram sua explosão como craque incomparável no futebol de hoje em dia, tão carente de jogadores com seu perfil.

Só peço ao amigo que, doravante, jogue no lixo os clichês e passe a observar Ganso sob essa nova ótica. No mínimo, você vai se deliciar com essa experiência.

4 comentários

  1. Excelente colocação. Nota 1.000 pra vc Helena Jr. Poucos conseguem enxergar a qualidade do Ganso desta forma, sempre esquecendo 10 boas atuações por causa de um passe errado.

  2. comentário perfeito, ainda digo mais , quero meu futebol de craques de volta, nos brasileiros não jogamos campeonato europeus pra ficar imitando isso que eles chamam de futebol, só jogamos a copa, de quatro em quatro anos, e só, e tem mais se estivemos com nossos craques antigos que colocava a bola entre as pernas desse alemães, e ficava na cara do gol nunca tomaríamos de de 7X1 ou seja quero assistir é a arte do futebol que agora só tem no Ganso

  3. comentário perfeito, ainda digo mais , quero meu futebol de craques de volta, nos brasileiros não jogamos campeonato europeus pra ficar imitando isso que eles chamam de futebol, só jogamos a copa, de quatro em quatro anos, e só, e tem mais se estivemos com nossos craques antigos que colocava a bola entre as pernas desse alemães, e ficava na cara do gol nunca tomaríamos de de 7X1 ou seja quero assistir é a arte do futebol que agora só tem no Ganso

  4. Bom dia Sr Alberto. nossa nem sei como começar.. primeiro parabéns a cada dia venho mudando a minha opinião sobre o senhor para muito melhor, até pouco tempo atrás sempre o via como alguém ranzinza e que não conseguia ver qualidade em nada da atualidade apenas das épocas antigas, mas a algum tempo venho acompanhando seus elogios ao ganso, e percebi que o senhor realmente estava certo, tão genial quanto o ganso é o senhor que consegue captar e transmitir com excelência e perfeição o que e o futebol de verdade e o que é o futebol do ganso, não me lembro a quanto tempo não sentia tanta satisfação quanto hoje, em ler uma matéria relacionada ao futebol, parabéns de verdade por toda a sabedoria que o tempo deu ao senhor. e gostaria de fazer um pedido ao senho, por ter apenas 23 anos não vi muitos dos jogadores que o senhor fala a respeito jogarem, gostaria que se possível o senhor fizesse alguns textos sobre grandes craques como o ganso que jogaram no passado, ou mesmo que joguem na atualidade, como tony kroos, Alex do Coritiba, Hernanes.. na opinião do senhor quem é melhor ganso ou Alex do coritiba? abraço. parabéns!

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