
Dunga anuncia o time que fará seu primeiro amistoso depois do fracasso retumbante Da Copa. Re-tum-bante…gosto desta palavrinha que ressoa pelas galerias do estádio como eco de um tempo remoto.
Mas, voltando à vaca fria, um time que tem lá uma pá de jogadores que participaram do fracasso felipinesco, com duas pequenas alterações que podem vir a ser fundamentais no estilo de jogo do novo Brasil: dois meias de habilidade – William e Oscar – e dois atacantes talentosos e velozes – Neymar e Tardelli -, sem nenhum centroavante de ofício, daqueles que pouco contribuem para o toque de bola coletivo da equipe.
Se vai dar certo já contra a Colômbia, não sei. É pouco tempo de preparação. E depende de como Dunga postar a equipe em campo. Por exemplo: se vai manter aquela linha de zaga lá atrás, distante do meio de campo que, por sua vez, não se aproxima dos atacantes, como se costuma jogar por aqui, ou se tentará compactar a equipe mais à frente, sempre correndo o risco de um contragolpe, na base de quem não arrisca não petisca.
Ou, se pensando na velocidade dos homens da frente preferirá fechar a casinha e explorar eventuais contra-ataques, como também é de hábito entre nós.
Mas, o fato é que Dunga leva também tais mudanças para seu discurso tradicional: precisamos jogar bonito e tal e cousa e lousa e maripousa. Boas novas! Ou será apenas a velha prática de passar mel na boca dos eternos descontentes?
Só o jogo e o tempo nos dirão.
De qualquer forma, já é algo animador, pois esse é o único tipo de mudança que se pode esperar depois da tragédia do Mineirão e do Maracanã, já que aquelas todas que mexem com a estrutura do nosso futebol, esqueça.
Com esse povinho de cartola que está lá, elas nunca virão.
Dunga e os três beques
Na sua fala de hoje, Dunga, por outro lado, ameaça com a história dos três zagueiros, que muitos (eu, primeirão!) consideram ultrapassados, recurso utilizado pela Holanda na Copa do Mundo.
É verdade. Van Gaal recorreu a esse truque e a Holanda nunca dependeu tanto de um craque lá na frente para cobrir todos os demais defeitos da equipe como um todo. Falo, claro, de Robben, que carregou seu país nas costas até à semifinal, sem que a Holanda mostrasse aquele jogo encantador de outros tempos. A não ser naquele tempo arrasador contra uma Espanha já em declínio, como se comprovou em seguida.
Aliás, agora mesmo os três zagueiros de Van Gaal estão ajudando a afundar o grande Manchester United, que só leva biaba no Campeonato Inglês e nos amistosos que o precederam.
Até mesmo Pep Guardiola, por não poder contar com alguns titulares, como Schweinsteiger, Robben, Ribéry e Boateng, andou levando pau ao escalar seu Bayern com essa formação,
Aliás, Guardiola, de quem sou fã, fez tal mixórdia no Bayern, passando Alaba, o melhor lateral-esquerdo do mundo, para o meio de campo e outros bichos que os resultados aí estão pra quem quiser ver.
E não me refiro aos números estampados pelo placar, mas à forma de o time jogar.
Só espero que Dunga não caia nessa tentação.