
O ABC já despachou o Vasco e foi o primeiro a garantir uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. O primeiro de uma pá de clubes da Segundona ou quase lá que estão na bica de repetir o feito na rodada deste meio de semana.
Nesta lista, o amigo pode incluir o Ceará, que no jogo de ida bateu o Botafogo por 2 a 1; o América de Natal, que já venceu o Furacão por 3 a 0; o Bragantino, que, depois de desclassificar o São Paulo, só precisa empatar com o Corinthians, no Itaquerão, pois ganhou a primeira por 1 a 0; e, por fim, o Coritiba, que pode perder até por 2 a 0 para o Fla, no Maracanã.O mesmo Coritiba da zona da morte de onde o Flamengo escapou com galhardia desde a chegada de Luxemburgo à Gávea.
Isso dá bem a medida de como os clubes chamados grandes estão encarando essa competição, tida até aqui como o caminho mais curto para a Libertadores, o grande objeto de desejo da maioria.
Ainda recentemente, um movimento desprovido de lógica histórica e cronológica conseguiu convencer a CBF a admitir a antiga Taça Brasil, o equivalente à atual, como verdadeiro campeonato brasileiro, o que mudou o ranking de campeões do Brasil do século XX.
Apesar disso tudo, o amigo espia a esteira da atual Copa do Brasil e lá estão, estendidos no chão, os restos mortais de Inter, Vasco, São Paulo, Fluminense e Grêmio, eliminado da competição pelo STJD por atos racistas de sua torcida, aos quais poderão se juntar daqui a pouco Flamengo, Corinthians, Botafogo.
Ficariam restando, então, apenas o Cruzeiro, que venceu o modestíssimo Santa Rita, no jogo de ida, no Mineirão, por 5 a 0, portanto, praticamente classificado, e o Galo ou Palmeiras, que jogam amanhã no Independência com os mineiros entrando em campo já com 1 a 0 no placar.
Claro, tudo isso no incerto campo das especulações. Incerto, mas não vago, pois, pela lei das probabilidades, esse é o desfecho mais lógico.
Isso significa que não há mais bobo no futebol de hoje, como gostam de repetir nossos especialistas e o povo em geral?
Ao contrário, meu amigo, ao contrário. Isso demonstra que há mais bobos na parada do que nossa vã filosofia supõe.
Pois os clubes grandes aceitam e avalizam esse calendário estúpido, que os obriga a entrarem em campo na Copa do Brasil remendados, por estresse ou convocações para seleções nacionais, com um olho no Brasileirão e outro na Sul-Americana.
Acaba dando nisso, meu.