A vez de Oswaldo

Oswaldo de Oliveira (Foto: Ricardo Saibun/Santos FC)
Oswaldo de Oliveira (Foto: Ricardo Saibun/Santos FC)

E essa agora?

Na esteira de Gareca, foi de cambulhada o nosso Oswaldo Oliveira, sujeito de muito bom gosto.E, diga-se, excelente treinador, além de inteligente e articulado. Desses treinadores que não temem lançar jovens jogadores, como provou recentemente no Botafogo e agora mesmo no Santos, onde colocou em campo nada menos do que treze meninos da base.

Ah, mas o Santos perdeu quatro dos últimos cinco jogos, dirá o peixeiro mais renitente.

Uma coisa é o resultado deste ou daquele jogo. Outra, muito diferente, é o desempenho do time, inclusive na derrota. Ganhar, perder ou empatar são as três alternativas de um jogo que, como tal, tem muitas variantes, e o acaso é a maior delas.

Mede-se o trabalho de um técnico pela performance de sua equipe – se joga bem, coletivamente, ou não, ganhando ou perdendo.

Não é esse, porém, o conceito que rege a ação dos cartolas brasileiros. Há sempre um olho nos resultados e outro no nível de influência que este ou aquele dirigente ou conselheiro- todos eles torcedores apaixonados – tenha sobe o técnico atual ou sobre que virá.

No caso de Oswaldo, ele teve de engolir o mico chamado Leandro Damião, ao mesmo tempo em que essa diretoria que o demite hoje permitiu a saída de Cícero, o mais eficiente e importante jogador do Peixe à época – armador e artilheiro.

E ainda é pago com o olho da rua.

Ah, sim, vale dizer que, com essa, apenas quatro treinadores que iniciaram o Brasileirão continuam em seus respectivos cargos. Alguns deles já foram demitidos por duas vezes nesta mesma temporada.

Isso, num futebol em que o treinador não pode treinar, por causa do calendário maldito. E, no qual, os clubes, nadando em dívidas por pura estupidez, só sabem aumentar o prejuízo com os pagamentos de multas e salários para os mesmos profissionais que eles contrataram e demitiram, sem nenhum sentido.

7 comentários

  1. Como sempre, muito sensato o texto do mestre de futebol Alberto Helena Júnior. Sou santista e acompanho os jogos e notícias do clube diariamente. Nunca considerei o Oswaldo um bom treinador, mas admito que ele estava fazendo um bom trabalho em um clube com diversas limitações; sua maior contribuição, na minha opinião, foi arrumar a tão caótica defesa do Santos, tornando-a uma das melhores do Brasileirão. Claro que, como disse seu Alberto Helena, um treinador que é obrigado a colocar em campo um jogador tão patético como Damião só para justificar o altíssimo e absurdo investimento financeiro, não deveria pagar por erros administrativos. Mais uma vez, fica evidente a falta de planejamento, coragem e humildade dos cartolas brasileiros, que preferem questionar a competência dos treinadores ao invés de olhar os seus próprios erros.
    Obrigado, Oswaldo!!

  2. Parabéns A.Helena Jr. Seria bom se todos os profissionais da área do jornalismo esportivo do Brasil tivessem a sua coerência e a sua simplicidade de raciocínio.

  3. O Oswaldo foi sincero ao admitir surpresa pela sua demissão pois estava convicto de estar
    fazendo um bom trabalho,e realmente estava.
    Após a Copa também foi sincero ao afirmar publicamente “se me chamarem estou pronto”,
    para assumir a seleção que hoje está sob o comando de Dunga.
    Abra os olhos Oswaldo,você já vive no futebol há muito tempo e não deveria se surpreender
    e tampouco se frustrar com as opções de decisões dos cartolas.

  4. Quer queiramos ou nao, futebol ‘e resultados, e quando eles nao aparecem, ‘e porque o trabalho nao esta sendo bem feito. Acredito que o que esta registrado no primeiro paragrafo nao ‘e nenhuma novidade, mas sim uma realidade coerente com a dinamica funcional dos esportes de alto nivel. A espanha na copa de 2010, foi campea com um futebol de resultados ( Um a zero). O Corinthians em 2012 a mesma coisa. A Alemanha agora ( tirando o COLETIVO DE LUXO contra o brasil), tambem, entao comprova-se com fatos, o que disse com palavras. O plantel do Santos nao ‘e la essas coisas, porem esta melhor do que muitas equipes que estao em uma colocacao melhor, sendo assim, ONDE ESTA ( ESTAVA) o problema ? Comissa tecnica. Sim o Oswaldo ‘e um profissional competente, articulado, polido, mas NAO DEU CERTO no santos, e basta olharmos as oscilacoes da equipe no campeonato, que iremos entender isso. Boa sorte ao Oswaldo ( menos contra o peixao kkkkk, claro), e que a nova comissao tecnica seja competente o suficiente,para conduzir-nos no minimo ao G4.

  5. O problema não era o Oswaldo, o time é meia boca, muita politicagem barata dentro do clube, afetando em tudo, muito “chefe” pra pouco “índio”, todo mundo quer mandar em todo mundo e ninguém resolve nada. Administração amadora, sem patrocinador que preste, quando “vende” jogadores não vê a cor do dinheiro que vai para os bolsos dos empresários e jogadores, não é a toa que está com um rombo de 40 milhões, e daí o técnico é o culpado?????

    1. Grande Mestre Helena!

      Como sempre palavras serenas que denotam a sabedoria adquirida com os anos de observação!
      Mas, também devemos considerar que como todos nós, o “OO” deveria se reciclar… pois pagou pelo que não fez!
      Sua postura de lord inglês não se “afina” com a malemolência do jogador brasileiro, falta-lhe comando!… o time não tinha um líder dentro de campo que cobrasse os demais… o time sempre entrava dormindo no 1º tempo e só tentava acordar quando já está perdendo!
      1. Seu esquema tático foi frágil, sem compactação – jogadores de defesa, meio campo e ataque distantes, a marcação ficava somente para a defesa e o volante, o resto ficava esperando a bola no pé para participar do jogo!.
      2. Sem qq estratégia de saída de jogo, o goleiro espera o adversário se reposicionar… só sai com chutão e a bola obviamente volta imediatamente!
      3. Nas cobranças de laterais, a bola era entregue 99% para o adversário
      4. Faltou concatenação de jogo, os jogadores não triangulavam ou trocavam passes verticais, sempre tentam carregar a bola!
      5. Cometeu vários equívocos na escalação e substituições:
      – Durante vários jogos manteve no time o “invisível” Thiago Ribeiro, péssimo ofensivamente – não cria, não chuta, só tóca a bola para tras – com a desculpa que era exímio marcador e sacou o Damião que estava em plena curva de recuperação técnica.

      Vamos ver se o novo técnico seja mais arejado e que perceba e coloque em prática no mínimo o “beabá” de compactar e introduzir mais dinâmica ao time!

  6. Colocações muito pertinentes. A acrescentar:

    1) Neste início de 2014 houve, sim, tempo para treinar, seja durante a Copa, seja nas semanas em que o Santos não teve jogos no meio da semana. Mesmo assim, o que temos visto é um time que sempre se declara cansado e que se mostra incapaz de troca de passes dignos desse nome. Não se vê algo que pareça com um padrão de jogo.

    2) Só sabia armar o time no 4-3-3, incapaz de uma variação tática que seja. O meio de campo (mesmo quando Cicero jogava) entregue ao adversário. Extremamente demorado para fazer substituições, mesmo quando sua necessidade era gritante. Exemplo: em diversas partidas substituiu atacantes por meio-campistas para proteger a defesa. Sempre tarde, enquanto os laterais (particularmente Cicinho) sofriam com os ataques adversários e qualquer arquibaldo já tinha enxergado isso no primeiro tempo…

    3) Deu oportunidade aos novos? Para alguns, sim. Para a maioria deles, se entrar aos 43 do segundo tempo é oportunidade, sim também…

    4) Falta pé de obra? Falta e muito. Mas comparemos com a situação de Sergio Soares no Ceará. Que pé de obra tem ele à disposição? Contudo lidera a série B e vai bem na Copa do Brasil (nada espantoso se for até campeão). Não tem pé de obra mas mostra padrão de jogo, coisa que OO não conseguiu dar ao Santos.

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