Tamo junto, Dunga

YASUYOSHI CHIBA / AFP
YASUYOSHI CHIBA / AFP

Quem diria que estaríamos – Dunga e este pobre escrevinhador – navegando na mesma frequência das ondas do pensar?

Pois, foi o que ocorreu na primeira convocação feita pelo técnico brasileiro, como, por exemplo, na chamada dos dois laterais do Porto, os ex-santistas Danilo e Alex Sandro, aqui citados ontem como merecedores de um espaço na Seleção.

Mas, a escolha de nomes sempre leva a discordâncias. Uns preferem este; outros, aquele, e assim vai.

Quer ver? De minha parte, melhor seria ter chamado Cícero do que Fernandinho ou Elias, já que o tricolor é bem mais versátil do que Fernandinho, pois atua tanto como volante,  quanto como meia ou atacante, e está jogando muito mais do que Elias.

O importante, porém, é o conceito que regeu a convocação, com equilíbrio entre volantes e meias (quatro pra cada função básica do meio de campo) e a ausência de um centroavante típico, mesmo porque não há na praça nenhum nome de destaque especial. Fred, nem pensar; Jo, idem, com batatas; e Alan Kardec, talvez, quem sabe, outrossim, entretanto.

Então, entra Diego Tardelli, que carrega na camisa do Galo o número 9 nas costas, mas que joga – e muito – pelos lados e por dentro, com habilidade, velocidade e eficiência. Trata-se de um jogador por quem clamo há muito tempo, em vão, até agora.

E, lá nas meias: Oscar, William, P. Coutinho e Everton Ribeiro. O cruzeirense é um autêntico meia-armador, desses canhotinhos que se movimentam muito, e, apesar disso, têm o passe exato, a visão clara do jogo. Assim como Oscar, que foi desperdiçado nos últimos tempos deslocado pelos lados do campo, tanto no Chelsea como na Seleção. Ainda ontem, jogando pelo Chelsea, ao lado de Fàbregas e adiante apenas de um volante de ofício, Matic, deu um show de armação e desarme.

Já P. Coutinho, outro muitas vezes pedido para a Seleção por suas ótimas performances no Liverpool, e William, já são dois meias que atuam um pouco mais á frente, próximos dos atacantes.

Enfim, com esses jogadores à mão e a mente aberta, Dunga pode montar um time bem interessante de se ver em campo, um time nos moldes do atual futebol praticado nos principais centros do planeta, onde a técnica e a velocidade sobrepujam a força.

Algo assim, ó: Rafael; Danilo, David Luís, Miranda (outra injustiça reparada) e Alex Sandro; Luiz Gustavo, Elias, Oscar e Everton Ribeiro; Neymar e Tardelli.

E, se ousar ainda mais, Dunga pode conferir ainda mais versatilidade ao seu meio-campo e agudeza ao ataque, se recuar, digamos, Oscar para o lugar de Elias e enfiar mais à frente Ricardo Goulart, o artilheiro do Brasileirão. Ficaria assim: Luiz Gustavo, Oscar, Everton Ribeiro e Ricardo Goulart; Neymar e Diego Tardelli.

Nessa, tamo junto, Dunga

 

6 comentários

  1. E não é que o Dunga mostra maturidade em sua convocação. Há tempos, aliás, não se via uma convocação tao interessante. Daí a fazer o time jogar um futebol agudo e envolvendo vão algumas léguas. Mas já é um ótimo e esperançoso começo. Confesso, porém, que o nome do Hulk me decepciona. Mas é só um nome, né?! Só espero que não seja o titular…
    Agora, cá entre nós, Helena: há quanto tempo não se via uma convocação com tantos meias? Isso sem contar os volantes, em sua maioria, que sabem ao menos “dialogar” com a redonda… Interessante, não?!
    Um abraço.

  2. Helena, concordo com a surpresa boa da convocação do Dunga. Salvo algumas mudanças que eu faria, como por exemplo o Marcelo, ainda jovem, que joga muito e deveria ser um dos remanescentes da era Felipão. Outro injustiçado que deveria estar presente, de preferência no lugar do Hulk, é o Lucas que evoluiu bastante no futebol europeu (concordo com o Gérson e o Gilson). Penso ser prudente a entrada de alguns jogadores mais experientes (Kaká e Robinho, por exemplo) para dar suporte aos jovens que estão debutando na seleção (Coutinho, Tardelli, etc…). Seria uma mistura interessante e daria confiança a esses jogadores. Além disso, estou torcendo bastante pelo futebol do Ganso, que já melhorou mas quem ainda tem muito a render e poderia, tranquilamente, dar um toque de classe a essa nova geração de meias da seleção brasileira que tem tudo para deslanchar. Fiquei muito contente com a convocação do Miranda e do Gil, mas não podemos esquecer o Dedé, que também é craque, mas só de não ter o Dante e o Henrique, está ótimo! Não é que eles sejam ruins, mas eles não ”esterçam”, kkk… enfim, parabéns Dunga e abraço Helena!

  3. e o Ricardo Goulart eh meia também meu amigo, mania da mídia inventar posições pro jogadores, não eh porque ele eh artilheiro do brasileiro que virou atacante, alias valoriza mais ele como ótimo jogador, pois zico era assim, meia e artilheiro, assim como o Goulart, se colocarem ele como atacante , não rendera seu vistoso futebol, já que ele mesmo já disse a todos que não eh atacante, e sim meia… vamos pesquisar mais.

    1. Meu caro Martim:

      Sei bem que Ricardo Goulart é meia. Um meia ofensivo, como se denomina hoje o antigo meia ponta de lança. Tanto que, na formação mais ofensiva a que me refiro no texto, escalo-o como meia, juntamente com Oscar e Everton Ribeiro. Tardelli, que também é meia ofensivo, por talhe e vocação,embora vista a camisa 9 do Galo, e Neymar, atacante que também pode fazer as funções de meia ofensivo, formariam meu ataque ideal dentre os convocados por Dunga.
      Esse negócio de futebol pesquiso há mais de sessenta anos, meu caro.
      Um abraço

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