Os equívocos sobre Gareca

Fernando Dantas/Gazeta Press
Fernando Dantas/Gazeta Press

Seria extremamente precoce sequer cogitar-se sobre uma saída do técnico Gareca do Palmeiras, agora. Mas, estamos falando de Palmeiras, num momento sensível de sua história, o ano do seu centenário em que o time não consegue engrenar e passa a flertar com um novo descenso.

As cornetas soam nas alamedas da Academia como soavam nas do velho Parque, pois isso também faz parte da história desse glorioso clube, o maior vencedor do século XX, ainda mais depois de a Fifa reconhecer a conquista da Copa Rio, em 51, como autêntico Mundial de Clubes, o que foi realmente, diga-se de passagem.

Portanto, nenhuma surpresa se o gringo pedir o boné depois de mais uma derrota nessa série inacreditável de insucessos do Verdão na temporada. Ou, se a cartolagem lhe exibir o cartão vermelho.

O jogo da noite desta quarta-feira, contra o Sport, lá, pode precipitar as coisas, sobretudo se Diego Souza, que estreia ao lado de Ibson no rubro-negro e que se esquivou da mira do Verdão, resolver matar um leão, como prometeu em recente entrevista.

Vale lembrar que nos tempos maus auspiciosos, o técnico Gentil Cardoso, o Moço Preto, como ele próprio se anunciava, foi demitido nos vestiários em festa pela conquista do título paulista daquele ano. Imagine com oito, nove jogos sem vencer no lombo.

Mas, seria o caso agora de Gareca? Claro que não. Afinal, todo esse investimento com a importação de uma pá de argentinos escolhidos a dedo pelo atual treinador perderia o sentido. Há que se dar mais tempo para Gareca mostrar a que veio.

Tempo, porém, não há, com o bafo da zona da morte soprando na nuca do Verdão.

Que desagradável, como diria meu amigo João.

O equívoco, obviamente, foi lá atrás, quando da demissão de Kleina, que, bem ou mal, vinha segurando as pontas do time. Sujeito discreto, ligado na bola que por aqui rola, no mínimo, levaria o barco sem grandes sobressaltos, até que o Palmeiras tivesse fôlego e cabeça para traçar um novo time, sob nova direção, com vistas ao próximo ano.

O açodamento com traços de pretensão em apostar num técnico dito (não sei por quem) moderno, estrangeiro apenas por ser estrangeiro, só poderia dar no que deu. Afinal, o currículo de Gareca se resumia a um bom serviço à frente do Velez, pouco, convenhamos, para tamanha guinada. O cara chega aqui, não conhece nem o caminho do hotel, e, pegando um elenco já sem talentos suficientes, passa a se cercar de jogadores de sua confiança, claro.

No futuro – e só o futuro, breve ou mais distante, dirá isso -, pode ser que essa turma toda dê ao Palmeiras um status à altura de sua história.

Mas, neste exato momento, tão crucial, o máximo que se pode esperar deles é um período de adaptação, em que oscilarão num Palmeiras que já não pode mais oscilar.

Resta, pois, acender uma vela verde, e torcer para que o Verdão, pelo menos, atravesse essa segunda fase do Brasileirão distante da zona da queda. Já será um feito para ser celebrado no seu centenário tão glorioso.

 

5 comentários

  1. Alberto Helena, único jornalista esportivo sensato neste país em que o futebol esta em decadência o que é lamentável e que isto acontece com o nosso glorioso Palmeiras, que aprendi gostar e torcer, mas que não podemos viver apenas de glórias do passado. Agora te pergunto: O que leva os dirigentes deste glorioso clube a pensar mais em status pessoal do que propriamente na grandeza do clube, não podemos continuar com esses incompetentes na direção do destino da Sociedade Esportiva Palmeiras. Não vejo uma luz no fundo do túnel, apesar de não ser pessimista é série B, infelizmente.
    Grande abraço e meu respeito

  2. Srs.,

    Palmeirense, respeito a opiniao de todos, porém vocês devem mesmo não estar observando
    o que se passa com o Time, falar sobre o Kleina, é querer que sejamos infelizes o resto do ano, coisas de Corinthianos.
    O Kleina não passava de um treinador medroso, não tinha mais o impeto de fazer o time jogar para frente, se apequenou diante de adversários derrotados, ex. Tijuana do Mexico, Atletico PR, copa do Brasil. E nos ultimos jogos pelo campeonato paulista e brasileiro estava com medo de fazer o time jogar.
    Tenho muita esperança com o Gareca, pois se trata de um treinador que vem como jogador de Meio e Ataque, ao contrário de muitos treinadores que vem de zagueiro ou goleiro, acredito que se Ele não perder a motivação conseguiremos bons frutos em pouco mais de tempo, tempo somente para os Argentinos entrarem em forma.
    Abs

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