
Você viu aquele gol do Vitória sobre o São Paulo, aquele em que a zaga saiu para fazer a linha de impedimento e não fez? Pois me fez lembrar de uma história antiga.
Lá pela metade dos anos 70, Marinho Perez trouxe para o Inter de Minelli uma novidade que aprendera no Barcelona de Rinus Mitchells, o autor do Carrossel Holandês. E explicou. É assim , seu Minelli – na hora em que o sujeito vai cobrar uma falta contra nós, a defesa fica em linha e, no exato momento em que ele vai bater na bola, eu levanto o braço e grito: SAI!
Dito e feito. A coisa funcionou como um relógio suiço naquele Inter bicampeão brasileiro, de Figueroa, Falcão, Cláudio Duarte, Carpegiani e cia. bela. Chegava até a ser engraçado quando o bandeirinha colhia três, quatro atacantes na banheira mais escandalosa.
Pois bem, no ano seguinte, Minelli assumiu o São Paulo e resolveu aplicar o mesmo truque no seu novo time.
Reuniu a tropa no meio de campo e explicou tudo tintim por tintim. Como nos primeiros treinos, houve certa confusão, chegou a amarrar uma corda na cintura dos zagueiros, que era pra eles todos saírem juntos, e elegeu o beque Paranhos para ser o guia da ação. Por vários dias repetiu esses movimentos, já que a repetição é mãe da perfeição.
Numa quarta-feira à noite, amistoso com a Portuguesa Santista, Minelli resolveu fazer a experiência num jogo de fato.
Na primeira falta da Briosa, Paranhos levanta o braço e berra: SAI! Todo mundo saiu, menos Paranhos. Gol da Briosa.
Na segunda, Paranhos, que era o último homem, levanta a mão e, desta vez, sai correndo da área, onde todos haviam ficado plantados. Paranhos esquecera de gritar SAI! Só ele saiu. Ele e o gol do adversário.
Minelli, então desistiu da tal linha de impedimento.