A rodada do Brasileirão neste fim de semana nos oferece um cardápio variado e sugestivo de atrações, além da simples disputa por colocações na tabela.
Nesse sentido, vale acompanhar as jornadas dos dois times que praticam o mais agradável futebol no país, neste momento, e que pontuam a tabela: o Cruzeiro vai a Criciúma para manter-se isolado, com folga na liderança, e o Fluminense recebe o Coritiba em casa.
A princípio a tarefa mais difícil cabe ao Cruzeiro, pois o Criciúma vem de um ótimo empate com o São Paulo, no Morumbi, sem Paulo Bayer, que faz uma diferença enorme nesse time bem ajustado. Jogando em casa…
Já o Flu, que vem se aprimorando a cada rodada, embalado pela fácil vitória sobre o América de Natal, pela Copa do Brasil, pega um Coritiba lutando para respirar fora da zona de degola. É verdade que o Coritiba tem lá um tal de Alex. E quem tem um craque do porte de Alex, mesmo em fim de carreira, sempre pode surpreender o mais forte.
Aqui, na Província de São Paulo, as atrações têm nome: Robinho, que reestreia na Vila no clássico com o Corinthians, e Kaká, que finalmente reestreia no Morumbi com a camisa do São Paulo contra o Vitória.
Não sei qual o estágio atlético de Robinho, mas sei que ele e a bola sempre se deram muito bem, sobretudo quando o craque veste a camisa do Peixe. O diabo, para ele, é conseguir varar a melhor defesa do campeonato até aqui. Assim como o desafio para o Corinthians, que terá Guerrero de volta ao lado de Romero, é o de fazer esse ataque funcionar de vez e com a devida constância.
Ataque por ataque, espie só este aqui: Ganso, Kaká, Pato e Alan Kardec. No papel, um espanto. Mas, como será, em campo, contra o Vitória? Que essa turma sabe jogar bola não tenho a menor dúvida. E que se jogassem num esquema propício para a vocação ofensiva dos quatro os gols viriam naturalmente, um atrás do outro. Mas, o que ouço nas declarações de Kaká? Que, tudo bem, é um quarteto ofensivo, mas todos precisam estar atentos na ajuda à marcação do adversário.
Claro, num jogo de equipe, todos devem dar uma mãozinha aqui e ali para o companheiro da hora.
Mas, que diabo!, num futebol em que raros são os times que atacam com mais de três jogadores, se você tem seis lá atrás para defender (dois volantes e quatro zagueiros) já está com marcação dobrada – dois pra cada um. Não basta?
É esperar pra ver, pois Muricy, apesar desses cuidados defensivos, tem procurado incutir no seu time o conceito de uma marcação um tanto avançada e de mais troca de passes na preparação da jogada final. Se tudo der certo e o técnico mantiver essa equipe por mais três, quatro jogos, certamente, o Tricolor sairá do lugar-comum em que se encontra.
E a volta de Felipão ao Grêmio? Estreia logo num Grenal de botar fogo no Beira-Rio.
O Inter está lá entre os quatro privilegiados da tabela, enquanto o Grêmio patina em décimo primeiro lugar. O jogo é no Beira-Rio, com a torcida colorada em peso tomando as arquibancadas. Tudo a favor do Inter, não?
Ledo engano, pois esse é o cenário ideal para Felipão arrancar de sua tropa as últimas gotas de sangue, suor e lágrimas. Se perder, nessas circunstâncias, nada mais normal. Afinal, para ele e seus acólitos, 7 a 1 representa apenas um simples apagão. Se vencer, porém, vira Deus tricolor. Ou melhor: existe patente maior do que a de Deus? Se existir, é essa.
Por fim, o Palmeiras vai ao terreiro do Galo, ainda sem Valdívia, claro. Um Galo trocando de penas aos cuidados de Levir Culpi, assim como o próprio Periquito, nas mãos de Gareca. O quê? Se surpreendeu por eu estar aqui exumando o símbolo histórico do Palmeiras no seu centenário?
Bem, confesso que prefiro simbolizar o Verdão com o tão brasileirinho Periquitinho Verde, bicho esperto que previa o futuro das mocinhas ansiosas dos tempos do realejo, do que a do Porco, figura tarda, estúpida e ofensiva à colônia italiana que inventou o Palestra-Palmeiras e ergueu a cidade de São Paulo.
Bem, a verdade é que o Palmeiras, apesar de homenagear o Palestra com sua camisa azul, está mais pra SE Mercosul do que para suas origens mediterrâneas. Sim, porque já lá estão na Academia, além do técnico, sete gringos, e um oitavo, o argentino Cristaldo, está chegando.
O Galo é obviamente o favorito. Mas, quem sabe, né? Pelo menos, do lado verde, vale observar o menino Allione que já deu sinais positivos nas suas primeiras intervenções.
