
A CBF anunciou o calendário do futebol brasileiro, com apenas uma mudança benéfica: o estabelecimento de vinte e cinco dias de pré-temporada para os clubes, embora o ideal fosse o período de trinta, como pleiteava o Bom Senso FC. de resto, é a mesma joça de sempre, sem um pingo de imaginação e de coragem para avançar um pouco além do nosso atávico atraso.
Houve uma redução pequena nas datas destinadas aos campeonatos estaduais, esse anacronismo paroquial que não faz mais sentido nos principais centros futebolísticos do país em pleno Século 21, na era da globalização das comunicações instantâneas e da conquista de espaços novos e rentáveis por esse mundão afora. Y nada más.
Pior: leio que a Globo vai propor a volta do mata-mata no Brasileirão. É um tiro no próprio pé e outro no coração do futebol brasileiro, pois a única boa ação praticada pelo antigo presidente Ricardo Teixeira (argh!) foi exatamente a de instituir o sistema de dois turnos em pontos corridos, imperfeita como tudo criado pelo homem, mas a menos injusta do ponto de vista esportivo e a mais civilizada e sempre contemporânea no mundo todo.
Ah, mas esse Brasileirão de pontos corridos é muito chato, muito longo. É mesmo, cara-pálida? Pois, neste anos todos, com esta ou aquela exceção, o Brasileirão tem se decidido nas últimas rodadas, senão na derradeira, seja em relação ao título, seja nos quatro classificados para a Libertadores, seja na zona da morte ou mesmo entre os que participarão da Sul-Americana. Esse Brasileirão é chato porque o nosso futebol, do jeito que está sendo jogado, é muito chato, chatice que não advém da fórmula de disputa e sim do conceito vigente nos nossos campos e nos bastidores. NO mata-mata, será igualmente chato. Talvez, até mais, pois nesse sistema, o medo de perder é bem maior.
Mata-mata já tem pra todos os gostos, com Libertadores, Copa do Brasil e Sul-Americana. E poderia ter ainda mais se a CBF substituísse algumas datas dos estaduais por um espaço no meio do ano – verão no hemisfério norte, onde a grana e o prestígio rolam – para que nossos times voltassem a excursionar, participando dos torneios internacionais que pululam na Europa e, agora, nos EUA, nessa época do ano.
Bem faria, pra ela, sobretudo, a Globo se promovesse nesse período de seca no Brasil mata-matas internacionais por aqui, trazendo atrações do mundo todo e aproveitando toda a infra criada para a Copa do Mundo, muitas delas se transformando em enormes elefantes brancos. Quem sabe, até, um torneio relâmpago entre Seleções Estaduais, coisas desse tipo.
E mais: a Globo, uma das maiores produtoras de espetáculo de massa no mundo e maior fonte de renda dos nossos clubes hoje em dia e que paga, de hábito, o mico de todas as mazelas do nosso futebol na opinião pública em geral, mesmo sem ser responsável, bem que poderia assumir de vez a elaboração do espetáculo futebol. Não só revestindo os jogos do Brasileirão de toda aquela solene pompa e beleza que a gente vê por aí no chamado Primeiro Mundo, como, sobretudo, abraçando o Bom Senso, nos dois sentidos. ao exigir de cartolas, técnicos e jogadores um espetáculo compatível com o dinheiro que paga. Um futebol bem jogado, pra frente, cheio de emoções, gols etc. O povo agradeceria compungido e parceiro.
Porque a Globo e seus patrocinadores, assim como o torcedor que vai ao estádio ou fica diante da tv por assinatura, estão sendo lesados por esse jogo de segunda mão, cheio de infrações, paralisações e nenhuma imaginação.
E, na falta de uma visão mais abrangente, com vistas às mazelas do presente e as possibilidades do futuro, cai no lugar-comum de um conceito simplista e primário do mata-mata, o retorno ao passado ainda mais remoto.
Basta que a Globo olhe pra seu próprio umbigo. O que fez dessa emissora de televisão, surgida no início dos anos 70, se transformar rapidamente numa rede de comunicações inigualável na América Latina e uma das mais importantes do mundo?
Sobretudo, as novelas.
Pois, o que a novela tem a ver com um campeonato de futebol?
Tudo. Ambos são tramas que se desenrolam ao longo de um determinado período, capítulo a capítulo, ou rodada a rodada, vividas por personagens as mais variáveis – o mocinho, o vilão, a mocinha, a vilã, o tipo engraçado, a fofoqueira de plantão etc., assim como no futebol, o craque, o botinudo, o malabarista etc. Só quem conhece o desfecho da novela é seu autor. E só quem conhece o desfecho de um campeonato em pontos corridos é Deus.
A expectativa do resultado é a mesma, desde que o desempenho dos atores de uma e dos jogadores de outra consigam manter nossa atenção. E é aqui que entra a diferença entre as novelas da Globo e o futebol da Globo. A novela, é a Globo quem faz. O campeonato de futebol é realizado por outros agentes, que nem estão aí para a excelência do espetáculo.
Se o grande achado da Globo, que é a novela, cujos preceitos básicos são os mesmos de um campeonato por pontos corridos, não vale para o Brasileirão, então, alguém aí não entendeu nada sobre comunicação, marketing e outros bichos. Quem sabe seja este pobre e velho escriba, que há mais de quarenta anos vem repetindo o mesmo script?
Sempre a mesma coisa… vcs falam da CBF, dos dirigentes, etc. mas os próprios jornalistas e nós mesmos, os torcedores, não nos reciclamos….
Se querem mudanças, mãos à massa!!! Parem de ir aos estádios, parem de comprar camisas…. vivam suas vidas com critério e foco no que realmente importa: familia, dignidade e trabalho;
Quando à seleção: para mim será sempre a mesma coisa, o time de Comary.
Se quisermos mudanças, primeiro a própria concepção de “Seleção” deve mudar… Voltar a ter o sentido de SELECIONADO dos melhores, da ATUALIDADE, e não um apelido para um time (apelido dado pela RGT) que convoca jogadores a partir de critérios nebulosos, que é lucrativos para alguns, administrativamente tocada como empresa PRIVADA de interesse PRIVADO, que engana e usa o povo como massa de manobra, como consumidor fiel, sem dar nada em troca.
O primeiro passo, na minha opinião, é PROFISSIONALIZAR o FUTEBOL…. desde os clubes (clube/empresa, com responsabilidade adm e fiscal), personagens (treinadores, arbitros, gandulas, seguranças, etc…)… criar uma LIGA PROFISSIONAL, administrada pelos clubes profissionais. Extinguir as federações estaduais, e a própria CBF… Criar dentro do ministério dos esportes, uma pasta para cada esporte. Sendo na pasta de futebol, um secretário, indicado pelo ministro dos esportes/presidente da republica, para comandar a seleção brasileira de futebol… ou seja, DÊ AO POVO O QUE É DO POVO… deixe com o POVO o que lhe pertence… e ai meu irmão… a coisa começa a andar…
Agora, se vai haver tráfego de influencia, corrupção, etc etc é outra coisa… mas o primeiro passo há de ser dado, no caminho da DEMOCRACIA e da responsabilidade: PRIVADA onde tem de ser privada, e PUBLICA onde há de ser publica.
e nós, meros mortais, devemos primeiros nos reciclar, antes de falar dos outros..
e vós, jornalistas, deveriam ser os primeiros a tomar essa atitude….
cansei de ver textos no sentido do EU DISSE, EU FALEI, EU ISSO, EU aquilo… oras, chutar cachorro morto é facil…. bater em bebado idem… quero ver é alguem dar a cara a tapa… falar dando nomes aos bois…. cade o poder da impresa????? cade o direito à livre informação????? acho que no fundo, vcs todos querem travalhar na RGT, e para isso adotam a mesma postura dos que lá estão onde troca-se a alama por uma exclusiva…
Até que enfim o Brasileiro poderá voltar aos moldes clássico e empolgante dos grandes jogos do mata-mata, sem dúvida o melhor modelo para a competição do nosso Brasileiro, pois esse atual modelo, além de longo para o nosso calendário, não trás empolgação alguma para os torcedores que reflete aos estádios com média de público pequena e uma fraca audiência comparada ao mata-mata. Independente da justiça do atual modelo do nosso Brasileirão, o nosso torcedor é históricamente acostumado com a emoção dos grande jogos que paravam o nosso país, o mata-mata é o melhor modelo e sem dúvida a verdadeira identidade da empolgação, motivação, vibração, audiência…. do nosso torcedor!!!!
Meu caro Alex: nossa memória é mesmo uma traidora, como dizia o sábio em latim. Nos tempos do mata-mata, que nunca foi a fórmula clássica, pois clássica é a disputa por pontos corridos, a presença de público nos estádios era ainda menor do que a atual. Porque sempre precedida daquela tediosa fase de classificação que não interessava a ninguém. A presença baixa de público nos estádios brasileiros se deve sobretudo à rasteira qualidade técnica de nossos jogos.
Concordo Helena. E são tantos os pontos que poderiamos citar para justificar a falta de publico que merece até um Post exclusivo. Mas enfim… também são tantas coisas que deveriam ser melhores no Brasil, que nem faço mais questão de reclamar do calendário, muito menos da fórmula de disputa dos campeonatos.
Abraço… e se possível, fale um pouco mais sobre o passado, pois o presente só dá desgosto.