O clássico do Itaquerão

Gazeta Press
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Domingo será o dia do grande teste. Não apenas do Itaquerão, um estádio de primeiro mundo, espaço seguro e confortável para as grandes batalhas domésticas da bola, mas também para medir o estágio em que se encontram Corinthians e Palmeiras, dois rivais históricos.

Antes de tudo, me desculpe o mais sofisticado membro da Fiel por chamar o novo estádio do Corinthians de Itaquerão, em vez de Arena Disso, Arena Daquilo, essas invenções dos marqueteiros de clichês sem sentido. Como arena (areia, na tradução do latim), desde a Antiguidade, um espaço circular e coberto de areia, se o campo de futebol é retangular e coberto de grama?

Cá entre nós, gostaria mesmo de chamar de Campo do Corinthians, assim como os catalães batizaram o estádio de seu clube-nação de Camp Nou, Campo Novo. Mas, na tradição bem brasileira, o superlativo passou a ser quase uma exigência. O Corinthians é Zona Leste, meu, região super povoada da Grande São Paulo, de onde, por sinal, vim. É Brás, Pari, Quarta-Parada, Mooca, Tatuapé, Penha, Vila Maria e, no seu extremo, Itaquera, onde finalmente, depois de um século de esperança, o Corinthians conseguiu erguer esse monumento incomparável.

Então, permitam-me em homenagem ao Povo Corinthians, ao povo da Zona Leste, ao povo de Itaquera chamar o Campo do Corinthians de Itaquerão, e não desses apelidos arrevesados, pretensamente modernosos, essas frescuras (ops!) que nada têm a ver com a autêntica alma alvinegra e com sua história centenária.

Isto posto, vamos ao jogo, de metrô, como reza a nova cartilha da cidade? Huumm, complicou, pois a torcida uniformizada do Palmeiras diz que não acatará a determinação da polícia de viajar de ônibus até Itaquera. Caso se comporte civilizadamente, nada contra. Mas, será o caso, por todos os precedentes criados não só por ela, e, sim por todas essas torcidas organizadas?

Aliás, pelo que se sabe, o padrão Fifa já foi quebrado, com a instalação de grades separando as duas torcidas nas arquibancadas.

Ah, como é duro viver num país onde meia dúzia de baderneiros colocam de quatro toda uma população, as autoridades, o senso comum e a liberdade essencial de o camarada ir e vir, sentar e assistir um espetáculo em paz, onde quiser.

Fico dando voltas no metrô e na inconsciência coletiva, e não falo do jogo.

Pois, aqui vai: o Corinthians está mais bem preparado do que o Palmeiras, isso é fato. Mesmo sem Jadson, pode contar com Renato Augusto, que reputo até um meia mais completo do que o titular, caso não fosse vítima recorrente de tantas lesões, o que o impede de entrar em campo na plenitude de sua forma há muito tempo. Além do mais, tem um banco capaz de suprir as necessidades eventuais do técnico, ao longo da partida.

Já o Palmeiras ainda é um campo de prova para seu novo treinador, o argentino Gareca, que colheu seu primeiro sucesso na Copa do Brasil, no meio de semana. Mas, era um time alternativo, como gostam de dizer os mais comedidos. Como será com todos os titulares? A gringalhada que vem chegando aos magotes mal desfez as malas ainda, portanto, não conta muito para esse jogo.

Contudo, o Palmeiras precisa mais da vitória do que o Corinthians, que está em posição digna e cômoda na tabela, a cinco passos do líder. E isso, num, clássico desse porte, às vezes, representa um estímulo fatal.

O que acontecerá, então? Responderei depois do jogo, que não sou besta.

 

8 comentários

  1. Jogo é apenas diversao e nao,brutalidades,o senhor Alberto Helena,é o melhor comentarista que tem,e sou santista,mas que seje apenas mais um jogo que ninguém se trate como inimigo,pois nao sao ,só adversarios.

    1. Caro amigo Alberto Helena,
      Você foi singular em sua explanação sobre os motivos pelos os quais se fazem referir ao estádio corinthiano, como vulgarmente denominado de Itaquerão, que para muitos é uma forma pejorativa de reverência-lo. Isto posto, qualquer pessoa tem o direito de denomina-lo da melhor maneira que quiser-lo, porém só esquecem de acatar a um pedido educado do SCCP de denomina-lo por Arena Corinthians, até que o nome possa ser explorado comercialmente, como qualquer clube no mundo faz. Ademais, a imprensa esportiva que muito cobra profissionalismo dos órgãos administrativos dos clubes em suas diferentes áreas de atuação, poderia de forma mais uniforme ajudar neste processo, como por exemplo respeitar ao pedido deste clube.
      Abraço Alberto Helena.

  2. Havia deixado de lado a tradicional GAZETA,pela mesmice de seus comentaristas,vendo sua FATCHA nos icones resolvi VOLTAR….profícuos sejam seus dias nesta casa.eimem.

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