
Tudo bem; o Figueira tá lá na lanterna, o time é fraquinho e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, dá gosto ver esse Cruzeiro jogando. Não, não é nenhum timaço para entrar na história ao lado daquele inesquecível de Tostã0, Dirceu Lopes, Zé Carlos e cia., dos anos 60. Tampouco, o vice-campeão do mundo que perdeu o título para o Bayern de Sepp Mayer e Beckenbauer na década seguinte.
Mas, pratica um futebol veloz, objetivo e encantador quando resolve tocar a bola na vertical como na realização do quarto gol, de Ricardo Goulart. Um futebol tão superior ao dos demais deste Brasileirão como os refletidos na tabela do Brasileirão.
Contra o Figueirense, no Mineirão, nesta noite de sábado, fez seu primeiro gol de pênalti (humm, mandrake, cá entre nós) para meter mais quatro no segundo, quando os catarinenses ousaram botar as manguinhas de fora. Aliás, essa tem sido uma constante na campanha do Cruzeiro: disparar no placar no segundo tempo.
E o que isso significa, além de repetir um hábito comum aos grandes times? Significa, antes de mais nada, uma linha de equilíbrio difícil de ser traçada pela maioria das equipes. É justamente quando o adversário começa a se desconcentrar que a Raposa dá o bote e define o placar, chegando a promover massacres como o desta noite.
Ah, sim, e um banco que oferece ao técnico Marcelo Oliveira várias alternativas. Por exemplo: a entrada do jovem meia Marlone no lugar do centroavante Marcelo Moreno, quando placar estava nos 3 a 0. Mudou o braço da viola de seu ataque, com Ricardo Goulart, outro meia, passando a atuar mais avançado. Com isso, incrementou o toque de bola coletivo e mais dois gols saíram antes do apito final.
Não vai ser mole tirar a Raposa do alto do poleiro, onde a bichinha se farta, sem contudo, perder o apetite.
Peixe na desova Seguindo as regras da natureza, o Peixe está corrente acima, já lá próximo do topo, depois desses 3 a 0 sobre o Chapecoense na Vila.
Fez 1 a 0 com Rildo, em passe esperto de Gabigol logo na saída do jogo e ampliou no comecinho do segundo tempo, com o próprio Gabriel. Então, ficou ali, na expectativa de um contragolpe fatal que veio já quase no fim do jogo, quando Gabriel tocou para Thiago Ribeiro repetir a investida pela direita do segundo gol e servir o menino Diego Cardoso, de bandeja.
O Santos, mesmo sem imprimir aquele futebol envolvente de tempos atrás, continua jogando bem e obtendo os resultados que lhe convém, sobretudo na Vila. E tudo isso sem sua mais cara e até agora insatisfatória contratação – Leandro Damião. Mesmo porque a ausência de um atacante desse estilo lá na frente, confere mais mobilidade e toque de bola no setor decisivo da equipe.
Tá bom demais para um time de garotos ainda em formação, que estão dando lições a muito marmanjo celebrado por aí, diga-se.