
O novo treinador da Seleção permanece ainda no forno. Só virá à luz na próxima terça-feira. Mas, antes disso, a dupla Marin-Marco Polo tirou da cartola o nome do novo coordenador técnico da CBF, o cara que vai supervisionar as seleções brasileiras em todas as categorias: Gilmar Rinaldi.
Gente finíssima, bom papo, articulado, ex-goleiro do Inter, do São Paulo, do Flamengo e da Seleção Brasileira com a qual foi campeão do mundo em 94, que, depois de pendurar as chuteiras, virou empresário de jogadores, com uma breve passagem na gerência de futebol do Flamengo. E aqui, a roda pega. Embora já tenha avisado na coletiva desta quinta-feira que já fechou sua agência, é simplesmente impossível evitar a onda de suspeitas que já toma forma nas redes sociais e programas de tv.
Se o brasileiro já é tomado da síndrome das conspirações, levantando a toda hora sacanagens até em terreno santo, imagine nesse caso, em que um agente de jogadores (ou, temporariamente, ex-agente) assume a coordenação de praticamente todo o futebol brasileiro.
Pergunto: por que procurar sarna pra se começar? Custava a CBF buscar alguém do meio, bem preparado e isento da mais remota suspeita de favorecimento a este ou aquele jogador porque eventualmente possa estar ou vir a estar na lista de clientes do eleito?
Conheço Gilmar o suficiente para crer na sua integridade, como homem e como profissional, embora nesta longa jornada de vida já tenha visto coisas de fazer a carne tremer, como diria o velho sambista. Mas, sou apenas um dos tantos nessa imensa multidão que tem acesso a tal informação. E os milhões restantes?
É verdade que nem Madre Teresa de Calcutá estaria livre dessa pecha, aqui e agora.
Isso, porém, não é o que mais me preocupa, desde que aprendi a ler uns trechinhos da alma humana. O que me incomoda é esse palavreado vazio que timbrou a entrevista coletiva desta manhã de quinta-feira. Nenhum sinal de um projeto (êta palavrinha maldita!) específico, fazer isto, aquilo, aquilo outro, assim e assado, pra ejetar o nosso futebol em direção ao futuro, que já beira o passado. Apenas uma observação tão pequena sobre o boné do Neymar que chega a confranger quem esperava algo mais altivo e edificante, se não original, do novo escolhido.
A não ser uma intervenção de Galo, responsável em campo pelas categorias de base da Seleção Brasileira, que falou sobre a necessidade de implantar em todas as esferas o conceito de um time calcado no talento individual, com formações compactas, marcação avançada e muita dedicação no jogo coletivo. Trata-se do óbvio que até agora desprezamos. Por isso mesmo, uma boa nova, se devidamente bem implementada.
Quanto ao novo treinador da Seleção, Gilmar deu uma pista: deve ser um estudioso do futebol, disposto a percorrer o Velho Mundo em busca dos ensinamentos (um mistério em plena era das comunicações?) valiosos sobre a modernidade. Ué, mas não são todos os nossos professores, tão bem remunerados, acurados estudiosos dos segredos do joguinho da bola? Não estão eles antenados diante da tv, vendo a bola que se joga nos principais centros futebolísticos? Não aproveitam eles as folgas propiciadas pela interminável dança dos técnicos do nosso futebol para se reciclarem visitando os demais centros de excelência? Se assim é, basta fechar os olhos e tirar da cartola qualquer nome que o assunto está resolvido.
O diabo é que não é assim, nós sabemos de cor e salteado. Aliás, o mais aterrorizante de todo o bestialógico despejado por Felipão e cia. depois dos recentes vexames, foi aquela declaração de que o técnico do Brasil se surpreendeu com o jogo jogado na Copa por algumas seleções.
Meu Deus, em que planeta vivem esses professores?
Em todo caso, sempre há exceções. Tite, Oswaldo Oliveira, Marcelo Oliveira e Mano Menezes, se não chegam a ser catedráticos com diploma da Sorbonne na parede do escritório, passam-me a sensação de que estão mais ligados nessas questões do que a imensa maioria dos nossos técnicos.
Muricy tem a veia de treinador, a percepção acurada, o instinto e a capacidade de organizar um time em campo. Mas, não se enquadra nessa categoria dos estudiosos, embora pareça ter captado a mensagem atual antes dos demais, segundo os últimos papos que tivemos, expressa na atuação do São Paulo diante do Bahia, quarta-feira, caso não tenha sido episódica descontando-se a fraqueza do adversário.
Meu querido Abel Braga, na última vez que cruzamos, chegou ao Bem, Amigos, me cobrando ao berros:
– Pô, Helena, venho jogando com apenas um volante e você não diz nada!
Referia-se o velho amigo ao meu secular e incessante combate ao dogma dos dois volantes, uma praga no futebol brasileiro, que me valeu o estigma de velho, superado, romântico, antiquado, por muito tempo. Justamente partindo daquela pragmática geração de jovens solenes, graves, envelhecidos até à carcaça.
Quer dizer: as coisas estão mudando, como mudam de fato no Brasil, aos pouquinhos, furtivamente.
Espero que Gilmar Rinaldi, Galo, o novo treinador e todo o demais complexo do futebol brasileiro (clubes, suas divisões de base e respectivos treinadores) , de fato, consigam mudar o braço da viola. E voltemos a entoar a cantiga que embala desde sempre a alma brasileira, coreografada com arte e engenho em todos os cantos e campos deste país.
Prezado Helena
Na minha opinião, estão colocando a Raposa para tomar conta do galinheiro, pois quando o Gilmar assumiu sua função no Flamengo ele também abdicou de sua atividade de empresário de jogadores. Logo que saiu do Flamengo, voltou a fazer o que, até ontem, conforme ele mesmo disse na coletiva?
Tem mais, esse negócio da pessoa ser gentil, bem articulada, etc. para mim diz pouca coisa, pois o que eu quero saber é se é bem preparado ou não.
Um abraço.
A.H, parabéns por nos trazer mais uma vez em uma leitura, a clareza, isenção, seriedade e profissionalismo que lhe é peculiar!
Precisamos de mudanças na estrutura da CBF…Dirigentes, Comissão Técnica, Categorias de Base e também é muito importante, um Asessor de Impressa, com o seu perfil! (Sério, honesto, isento e competente!
Grande abraços e sucesso!
Anderson Andrade
Sei nâo! Além de empresário de jogadores, será que ele tem alguma formação em área de administração? Sim, porque ele vai gerenciar uma parte da entidade mais lucrativa do país. O discurso inicial realmente estava com excesso de escassez (se é q isso existe). Escassez de planos, principalmente. Sei não, mas acho que vai continuar aquela “maracutaia” de valorização de jogadores medíocres na vitrine da seleção para depois repassá-los a Euros para a Europa.
Caro Helena
Também vi o jogo do Sao Paulo contra o Bahia e gostei muito! Nao vi ligaçao direta, excesso de faltas, trombadas e jogador correndo com a bola ao invés de fazer a bola correr! Vi um time bem compactado jogando futebol fino, com bola no chao! Nao sou SaoPaulino mas o que vi, como amante do futebol, me deixou bastante animado!
Helena
Achei muito pertinentes seus comentarios. Na minha opiniao, o Leonardo era a pessoa com maior competencia para assumir esse cargo. Ele conhece o futebol europeu como ninguem, ja atuou como jogador, treinador e dirigente em grandes clubes europeus, nao tem seu nome vinculado a atletas (empresario), enfim, tem todos os requisitos para administrar o futebol da selecao, alem do ser humano fantastico que mantem uma fundacao para criancas aqui no Brasil. Como a escolha foi o Gilmar, creio que o tecnico nao deve ter o perfil do Tite, muito menos o Muricy, pois duvido que eles teriam estomago para convocar esse ou aquele jogador por interesse de terceiros. O novo tecnico da selecao tem que ser um pau-mandado. Aplausos para os lideres do PCC, quero dizer, da CBF.
Para uma função qualquer que seja o mais importante é ser uma pessoa com experiência demonstrada e capacidade de gerir pessoas. Neste caso eu não tenho capacidade de saber se o Gilmar Rinaldi será a pessoa certa para este cargo. Porém tenho também a minha opinião baseado no que disse no começo e assim penso que pessoas como Falcão, Zico teriam mais experiência para este cargo, pois além de isentos são pessoas como qualidade acima da média. Para técnico do Brasil terá de ser escolhido também de acordo com o que escrevi no começo: ou seja um técnico actualizado e competente. No Brasil existe muita gente que pensa que basta colocar um grupo de bons jogadores em campo e que a qualquer momento um deles dribla 3, 4 adversários e marca um gol! O futebol assim já acabou a muito tempo. É preciso montar “UMA EQUIPA” e não um bando de bons jogadores! Existe no Brasil um técnico que pense assim? Existe no Brasil um técnico que não ache o Brasil “O MAIOR”? Se houver devem escolher este!
Vejam e revejam imagens da selecção de 1982 a última selecção brasileira de qualidade. Tinha uma série de bons jogadores, mas essencialmente tinham “UMA EQUIPA”. A partir deste mundial o Brasil ainda chegou a ganhar 2 Mundiais, mas o sistema não primava por ter “UMA EQUIPA”, mas sim por ter uns craques que a qualquer momento driblassem 3, 4 adversários e marcasse um gol! é foi assim que aconteceu: Romário e Bebeto no tetra e Ronaldo e Rivaldo no penta.estas selecções foram campeãs, mas a selecção de que nos lembramos foi a outra …..a de 1982, porque será ….era “UMA EQUIPA”, treinada por um competente treinador. TELE SANTANA! Enxerga Brasil!!!!!!