
Santos e Palmeiras fazem o primeiro clássico paulista nesta volta ao Brasileirão.
De novidade, a presença do argentino Gareca no banco, comandando a equipe pela primeira em jogo oficial, e seu compatriota Tobio ao lado de Lúcio para evitar que seu jefe passe por algum vexame inicial.
A Argentina, no passado, era uma escola de excelência na formação de grandes zagueiros, tipo Ramos Delgado, Perfumo, Passarela ou Ruggero. O último, que eu me lembre, foi Sensini. Mas, de lá pra cá, Deus me livre! – que becaiada ruim de serviço.
Ah, mas a Argentina tomou poucos gols na Copa. É verdade, mas menos por causa de seus zagueiros e muito mais pela feroz retranca montada pelo técnico Sabella.
Confesso que desconheço o futebol de Tobio. Se o vi em ação, não me chamou a atenção. Espero que dê conta do recado.
Já Gareca, esse, sim, vi em ação pelo selecionado argentino várias vezes – um avante de muita movimentação e boa técnica. Como treinador, fez bonito à frente do Velez nessas tantas Libertadores da vida.
Dizem os que frequentam o CT do Palmeiras que seus métodos de treinamento diferem dos habitualmente utilizados pelos nossos professores. Mas, não explicam quais são essas diferenças. O fato é que cada um tem lá suas manias, seja gringo ou nativo.
O mestre Rúbens Minelli, por exemplo, gabava-se de que havia desenvolvido mais de sessenta jogadas ensaiadas com bola correndo naquele maravilhoso Inter dos meados dos anos 70.
Quando perguntei ao saudoso Telê Santana por que ele não utilizava o mesmo recurso na Seleção de 82, recebi na bucha a resposta arrevesada:
– Esquece esse negócio de jogada ensaiada, treino alemão e outros bichos. Jogada ensaiada só em bola parada, tanto na defesa quanto no ataque. Pra dar conjunto e fluência ao time, tem mesmo é que fazer coletivos, simulação do jogo, e ir consertando o que dá errado.
O fato é que os times de ambos jogaram muita bola e entraram para a história do futebol. Um foi campeão, o outro, não. Ganhar ou perder, porém, faz parte.

Assim, voltando ao clássico da Vila, não será apenas uma vitória do Palmeiras que dirá se o time evoluiu ou não nas mãos de Gareca. A vitória, claro, seria bem-vinda no Parque para que o Palmeiras saísse da situação incômoda em que se encontra na tabela do Brasileirão. O que servirá de parâmetro, na verdade, será o comportamento tático-técnico da equipe. Se vai envolver o adversário com toques precisos, jogadas bem elaboradas e criando situações embaraçosas para o goleiro Aranha, ou não.
Quanto ao Peixe, Oswaldo Oliveira, sujeito de bom gosto, já mostrou ser capaz, lá atrás, de imprimir um jogo agradável e insinuante com toda essa molecada, sob o comando e o estímulo em campo desse notável Arouca, um volante completo, mil vezes melhor do que todos os que estavam com a canarinho na Copa. Infelizmente, foi riscado, meses antes, porque cometeu um único mas fatal erro num desses amistosos que ninguém mais lembra qual foi.
Enfim, vejamos no que vai dar.