Que Brasileirão vem por aí, gente?

AFP
AFP

Êpa, olha o Brasileião aí de novo, gente!

E lá vem o desfile de mesmices de sempre: times retrancados, ligação direta da defesa ao ataque, muitas faltinhas necessárias, cai-cai, rodinhas de reclamões em torno do juiz a cada apito de Sua Senhoria, corre-corre nas arquibancadas e alguns corpos estendidos no chão aqui e ali no entorno dos estádios, que os idiotas de plantão resolveram chamar de arenas porque acham que isso é mais moderninho.

Arena, meu amigo, desde os gregos antigos, passando pelos romanos até chegarmos aos picadeiros de circo ou às salas de teatro de vanguarda do século 20, é um espaço circular coberto de areia (arena) destinado a debates comunitários, disputas entre pugilistas, gladiadores, cristãos versus feras, corridas de bigas ou de cavalos, touradas e troca de sopapos hilários entre palhaços engraçados de olhar triste. (Já estádio vem do grego stadión, passando pelo latino stadiu, unidade de medida itinerária, cerca de duzentos metros nossos, pra frente ou pro lado).

Ora, o futebol é jogado num retângulo, linhas retas, passos pra cá e pra lá, coberto de grama. Que diabos esse espaço tem a ver com qualquer tipo de arena?

Mas, de que adianta digladiar com a burrice generalizada? Palavras são apenas palavras, que mudam de sentido ao desejo da freguesia. Mesmo porque poucos se lembram do que diz o velho livro: em princípio, veio Verbo (a palavra), que organizou o caos inicial e deu forma e sentido ao nosso modesto planetinha. Aliás, é a palavra que nos separa das demais espécies, nossos avós primatas, por exemplo, aos quais cada vez mais nos aproximamos ao desprezarmos o valor desse recurso básico, justamente na era das comunicações.

Mas, não adianta malhar em ferro frio. E, se alguma generosa herança essa Copa nos deixou foi exatamente o complexo de novos estádios por esse Brasil afora, construídos para plateias civilizadas, sem cercas ou alambrados, com cadeiras decentes sanitários novinhos em folha, iluminação da mais alta tecnologia e gramados impecáveis (alguns, nem tanto).

Quem sabe o palco não mude o espetáculo? Quem sabe, pela imponência das dependências do estádio, o torcedor troglodita não se sinta acanhado a cometer as besteiras de praxe? Quem sabe o conforto oferecido não atraia mais torcedores do que essa meia dúzia de gatos pingados que frequentam nossas arquibancadas em jogos domésticos, uma das mais baixas média de presença de público do mundo, e logo no País do Futebol?

Quem sabe nossos técnicos e jogadores, diante da excelência do palco de jogo, não decidam nos oferecer um espetáculo mais condizente com nossas tradições e exigências do futebol moderno?

E olhe que não faltam atrações e expectativas positivas: o Flu, com Cícero estreando ao lado de Conca, num meio-campo de alto coturno; o Cruzeiro de Marcelo Oliveira, que deveria ser um técnico cotado para a Seleção, diga-se, reforçado; o Palmeiras do técnico Gareca, sem Valdívia, mas com dois argentinos de boa técnica; os eternos Meninos da Vila; o Galo de Ronaldinho e Tardelli; o Inter e tantos outros.

Mas, o que nos toca mais direto e imediatamente é a estreia nesse retorno do Brasileirão, amanhã, de Corinthians e São Paulo.

O Timão pega uma pedreira – o Inter -, no Itaquerão, com um reforço significativo: Elias, que foi o dínamo do meio de campo nos tempos de glória de Mano Menezes no Parque, com breve e eficiente passagem pelo Flamengo. Elias já deve dar outra cara ao Corinthians, que iniciou vacilante o Brasileirão, embora em posição digna na tabela. De resto, é esperar que ele acione o ataque de forma a fazê-lo funcionar de vez, que diabos!

Já o São Paulo vai à Fonte Novíssima enfrentar um Bahia imprevisível, por tantas mudanças, dentre as quais a saída de Talisca, o xodó da torcida, negociado com o Benfica.

Mas, quem esperava rever Kaká com a camisa tricolor, desista. O moço só voltará a campo lá na frente. E, pelo andar da carruagem, nem Luís Fabiano, em recuperação.Muito menos Pato, que virou reserva de Ademílson e Osvaldo, a escolta no ataque para Kardec, esse, sim, com chances de dizer a que veio.

Bem, de qualquer forma, nem Mano, nem Muricy, nem qualquer outro treinador dos clubes que disputam a Série A do Brasileirão, poderão reclamar de falta de tempo para recuperar e preparar devidamente seus times para esta reta final do Brasileirão. Afinal, com raríssimas exceções, eles tiveram todos os seus jogadores na mão para ativá-los e ajustar o conjunto com vistas a enfrentar o resto da temporada. Espero que tenham cumprido sua missão a contento.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *