Importa ou não importa? Pouco importa.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press
Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Importa técnico estrangeiro ou não importa? Pouco importa. Precisamos, isso, sim ,é deportar essa mentalidade tacanha dos nossos técnicos, cartolas e boa parte da mídia esportiva. Mas, isso é impossível, porque são gerações e gerações cultivadas na ignorância, na soberba e na ambição pessoal.

Nem o sábio Diógenes revivido, saindo de sua barrica de vinho com a lanterna em punho atrás do homem íntegro e competente nos tiraria dessa. No máximo podemos almejar que se cumpra a parábola do pensador e do rei coberto e ouro e poder. Posto ao sol, Diógenes vê o rei plantar-se à sua frente e perguntar-lhe:

– O que desejas, Diógenes? O que quiseres te darei.

– Tudo que desejo, majestade, é que saias da minha frente, pois tua sombra me tira a luz do sol.

Nem mesmo isso podemos obter, pois essa gente se planta à nossa frente e dali não sai nem a pau. E o que tomar seu lugar, pelo panorama geral, será igual, se não for pior.

Uns projetam sombras mais densas e volumosas; outros, menos. A nós só resta caminharmos nesse vale de sombras em busca de uma luz piscando em direção ao futuro.

Sim, claro, seria bom que algum iluminado conseguisse semear na cabecinha de todos os envolvidos no negócio futebol a necessidade de se implantar uma rede nacional de estimulo à geração de talentos dentro das quatro linhas. Que nossos treinadores estudassem mais e profundamente o seu ofício, se livrassem do medo de perder, passassem a olhar o jogo como espetáculo e tal e cousa e lousa e maripousa – tudo isso que tem sido veiculado nas mesas redondas da tv, nos artigos, colunas e blogs nestes dias e que depois de amanhã, como já cansei de constatar ao longo da vida, cai no vala comum das utopias.

Mas, infelizmente, o Brasil  é assim, não apenas no futebol: o eterno País do Futuro, que, só vive o presente, remendando a falta de visão do passado.

Portanto, pouco importa se o técnico da Seleção será um estrangeiro ou um brasileiro. Mesmo porque o único estrangeiro que eu chamaria para tal encargo seria Pep Guardiola, cuja visão sobre o futebol é a mais próxima da nossa autêntica escola de jogar bola, aquela que no passado encantou o mundo e nos deu três dos cinco títulos mundiais, do que a de qualquer nativo esperto.

Mas, duvido que Guardiola deixaria o Bayern, o futebol alemão, as oportunidades de vencer o maior torneio de clubes do mundo – a Liga dos Campeões -, os milhões de euros que pingam na sua conta bancária, toda aquela organização em torno, para se a aventurar nessa bagunça regida pelos Martins e Marcos Polos da vida.

Seria triturado em pouco tempo. Ou não, caso chegasse, pusesse nossos jogadores a praticar aquele seu futebol. Na hora, virava deus.

O que nos resta, pois, é apostar em alguém como Tite, o mais palatável dos eventuais candidatos ao cargo. E esperar que nossos jogadores respondam à altura, em pelo menos 70 por cento dos jogos a serem realizados até a próxima Copa.

Mesmo porque, se não temos uma safra excepcional, também não é essa baba que as derrotas acachapantes para Alemanha e Holanda deixaram escorrer pelo canto da boca do torcedor e da mídia em geral.

 

 

 

 

 

5 comentários

  1. Helena, me desculpe, mas a derrota para a Alemanha apenas demonstra que temos uma geração pouco inspirada para o esporte bretão. Se verificarmos o que cada seleção ganhou nos últimos 20 anos, veremos que a seleção da Alemanha ganhou somente uma Eurocopa, enquanto o Brasil, nesse meio tempo ganhou duas copas do mundo. Afora a questão da organização, que a nossa inexiste, no futebol, não devemos nada para os alemães. Passaremos a dever caso não nos organizemos e eles vençam a copa de 2018. Concordo com você quanto ao nome ou nacionalidade do próximo treinador. Importa mesmo é a mudança de mentalidade e a reorganização do nosso futebol passando necessariamente por uma reestruturação da CBF, incluindo os dirigentes e a maioria dos nossos treinadores. Tenho medo do Tite. Ele não fala a língua da torcida brasileira. Tem teoria demais para dar certo! Abraços.

  2. O grupo de jogadores que integrou da Copa de 2014 foi uma verdadeira legião de
    estrangeiros,sendo que muitos deles ainda não eram nem conhecidos pela torcida.
    Um caso recente e que ilustra bem o cenário atual,refere-se a Marquinhos,zagueiro
    formado no terrãode Itaquera e que tão logo saiu das fraldas, foi para a Itália onde não
    teve tempo de aprender o idioma italiano pois já está jogando no PSG da França,e
    também não terá tempo de aprender a língua de Molière pois Cervantes já está
    de olho nele.
    Entramos em círculo vicioso caracterizado pelo velho e conhecido refrão “se ficar o bicho come e se correr o bicho pega”.
    Jogador precisa ao menos criar identidade com o clube e com o país,assim como ocorreu
    com Neymar e em recente passado com tantos outros.
    O desempenho da seleção desta Copa foi o pior da história e para jogar o que jogou(jogou?),um grupo formado somente por jogadores locais faria muito melhor.
    O futebol brasileiro não trabalha e nem tem visão à largo prazo,razão principal para que
    nenhum estrangeiro se aventure em aceitar um convite da CBF,e parece não exisitir
    um brasileiro com coragem de meter a mão na ferida e trabalhar somente com jogadores
    daqui.
    Estamos em uma sinuca de bico cuja saída requer uma jogada de Mestre.
    Quem é o Mestre e onde está?

  3. Caro Alberto, em primeiro lugar, que prazer tornar a lê-lo e vê-lo de volta à Gazeta! Parabéns por sustentar sua opinião não obstante as politicagens do futebol: o Tempo é sempre o senhor da razão e mais uma vez se provou assim.

    Quanto ao próximo técnico da Seleção, na minha opinião a política novamente prevalecerá na escolha do sucessor do Felipão. O trabalho da CBF nunca se pautou por uma construção contínua, a exemplo do que a DFB fez com Klinsmann e Löw. O título alemão é fruto de 12 anos seguidos de trabalho, que deram resultado mesmo apesar da mudança do técnico.

    Concordo que o Tite seria quase que uma escolha natural, mas mais pela falta de opções do que por algum atributo em especial. E ainda assim, estaria submetido aos caprichos de Marina, Del Nero et caterva, cuja interefrência é deletéria desde a mentalidade até as pequenas decisões do dia-a-dia (apud Dona Lucia).

    Se a Copa (e sua conquista) eram um projeto grandioso que comandavam templo, planejamento e ajustes, as chances do Brasil foram liquidadas logo de saída quando o comando abriu mão do Mano Menezes (não o estou julgando) de forma tão estabanada e deselegante. Imagino que, para chegar até o título, Löw também teve um período ruim no seu retrospecto. Porém, ao contrário daqui, isso se transformou numa credencial e não num demérito.

    O próximo técnico do Brasil (seja quem for) não deveria ser escolhido pensando em ganhar a Copa da Rússia, mas, se tanto (e eventualmente), a Copa de 2022. As falhas, carências e lacunas mostradas por este time indicam que o trabalho deverá ser extenso, profundo e sistemático, não podendo se deixar abalar por maus resultados de ocasião.

    Grande abraço!

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