Neymar: flecha na mosca

Fernando Dantas/Gazeta Press
Fernando Dantas/Gazeta Press

Na coletiva de Neymar, ao ser perguntado sobre o que achava da formação de base no futebol brasileiro, algo tão contestado há tempos, o craque foi na mosca: tudo que aprendeu foi no quintal de casa, com seu pai, ex-jogador sem expressão, mas um sujeito inteligente como poucos no universo do nosso futebol, diga-se.

E acrescentou que viu, ao longo de seu aprendizado nas categorias de base, seus companheiros receberem ensinamentos errados sobre o domínio dos fundamentos do jogo.

Esse é o mais contundente e significativo alerta para os que comandam nosso futebol, em todos os segmentos, pois que partiu de um jovem cujo futebol destoa do lugar-comum vigente em nossos campos e formado num clube historicamente eleito como a mais eficiente usina de revelações do Brasil – o Santos dos Meninos da Vila.

Quer dizer: se o melhor jogador do Brasil diz que aprendeu a jogar bola em casa, e a melhor escola de craques – o Santos – é tão deficiente, está mais do que na hora de nossos cartolas meterem fundo o dedo nessa ferida.

Ainda mais no embalo do maior vexame da história do nosso futebol – os 7  a 1 diante da Alemanha. Alemanha, cujos jogadores, a cada entrevista, só elogiam as autoridades de seu país que, depois de 2006, resolveram investir pra valer nas categorias de base de seus clubes e da Seleção.

Só não vê quem não quer. E só não resolve o problema quem é muito ruim de serviço.

PS: A propósito, meu querido Júlio Deodoro, o Senhor São Silvestre, chefão da Gazeta Esportiva há anos, ao ler a crônica sobre Di Stefano, La Saeta Rúbia ( O Flecha Loiro), me pede pra lançar aqui um apelido para Neymar: O Flecha Ligeira. Nada mais adequado a esse veloz e habilidoso atacante

Flecha Ligeira era o nome de um herói em quadrinhos dos meus distantes tempos de criança, não do Júlio Deodoro por certo. Foi o primeiro índio americano a se infiltrar entre tantos mocinhos brancos que tomavam conta dos gibis nos anos 40/50.

Tinha um topete ao estilo de Neymar e lançava flechas contra os bandidos como se fosse uma metralhadora ambulante.

Nessa época (anos 50/60) nos campos de futebol, havia um Flecha Negra, o nosso saudoso Maurinho, ponta-direita velocíssimo, de forte impulsão na área para o cabeceio, e que, ao contrário do que supõem nossos jovens comentaristas sobre a ação dos antigos pontas, não se limitava a ir à linha de fundo e cruzar. Marcava também e muito.

Surgiu no Guarani, fez fama no São Paulo e encerrou seu ciclo no Fluminense, não sem antes defender o Brasil na Copa de 54.

Então, aí fica a sugestão: Neymar, O Flecha Ligeira.

8 comentários

  1. Concordo com o apelido, tanto pela declaração dele nesta entrevista quanto a sua técnica como atacante. Entre os gols que já vi ele marcar em um deles, ele surge como uma flecha entre os adversários e marca um gol com muita rapidez, foi contra o Coritiba no Couto, onde ele driblou uns quatro ou cinco em curto espaço e concluiu a jogada já praticamente dentro das redes, ali ele surgiu como uma verdadeira “flecha ligeira” ou somente ” flecha”.

  2. Como todos s brasileiro tambem não consigo descrever o sentimento que fica após o carrossel alemão.
    Mas, se ha uma coisa que não me impressiona muito é o placar.
    Explico: aquilo foi uma consequencia pontual do momento que vive a nossa seleção.
    Sem padrão, sem esquema e com escalação equivocada. O placar elástico a propria Alemanha sabe que foi um acidente, que dificilmente conseguirá de novo com o próprio Brasil ou com outra seleção do mesmo nível. Quantos times de ponta já não foram goleados e não deixaram de ser grandes?
    Acho que o grande erro é que se o placar tivesse sido 1×0, iriam achar muito normal e que o nosso time não estivesse tão ruim. Errado!
    Com 1 ou com 7 a nossa seleção não está em nenhum momento coorrespondendo a o verdadeiro futebol brasileiro.
    Precisamos mudar e bem depressa.

  3. Nosso maior problema foi ter ganho a Copa das Confederações !!!
    Não sei se existe instrumento legal para tirar essa cúpula da CBF,
    que a usa para proveitos próprios. Analise o futebol Brasileiro e veremos
    a nossa mediocridade perante campeonatos de outros Paises.
    Com certeza não é culpa dos jogadores e sim de quem dirige o futebol.

  4. Definitivamente! Não se pode acreditar em mudança no futebol brasileiro, entregue a cartolas do nível do Marin e do Del Nero! O senhor, grande Alberto Helena, signatário do texto mais sublime a respeito do meu América de Natal quando fomos à Série A em 1997 (ainda guardo o recorte da Folha), deve sofrer tanto ou mais do que eu com essa bagunça que virou o nosso futebol. A CBF, rainha de todas as cortes, manda, desmanda, impõem regras absurdas ao cidadão – como a proibição de bebidas nos estádios – e, o pior de tudo, leva de roldão parte do judiciário (inclusive o Ministério Público) impondo uma “lei” que não consta do nosso arcabouço legal. Arrecada uma fortuna de patrocínios e repassa, à maioria dos clubes, migalhas que não empatam com os custos altíssimos que se impõe ao futebol. O governo, oportunista de todas as horas, só aparece para produzir engodos, falácias e enrolações, como as que “arrotou” acerca das obras de mobilidade que não aconteceram em nenhuma das cidades-sedes da Copa. No entanto, não iveste em escolinhas de futebol, não apoia as iniciativas localizadas, enquanto o nosso dinheiro vai de ralo baixo, para as contas dos paraísos fiscais. Enfim…não dá para ter esperança, seu Helena.

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