Sai Felipão. Entra…

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press
Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Bem que Felipão deu sinais, na entrevista coletiva de ontem, de que não pretende pedir demissão, mesmo depois do secular vexame da seleção sob seu (des) comando na Copa do Mundo em sua própria casa.

Sim, porque a certa altura, quando respondia se iria ou não promover muitas mudanças no time que enfrentará a Holanda pelo terceiro lugar da disputa, respondeu que é possível fazer algumas experiências com vistas ao futuro. Que futuro? Talvez quisesse se referir, isso sim, ao futuro técnico da Seleção Brasileira, pois é inadmissível sequer imaginarmos sua permanência no cargo.

Aliás, sua escolha já havia sido um equívoco gigantesco por parte da direção da CBF, embora tenha sido aplaudida por grande parte da imprensa e da opinião pública, que costuma idolatrar essas figuras mistas de paizão e sargentão, o caudilho que tudo resolve por astúcia ou truculência, e que povoa o imaginário dos nativos abaixo do Rio Grande (o que faz divisa com o México).

Afinal, Mano Menezes, que roeu o osso da profunda reformulação do time de Dunga, justamente no momento de sua demissão, havia conseguido achar o melhor caminho para nossa equipe. Sem Fred ou um centroavantão lá na frente.

O fato é que, nesse duro processo de peneira e escolhas, obviamente, o time perdeu jogos – quase todos para os grandes rivais do planetas. E a turma queria resultados. E, resultado, claro, na cabecinha dessa gente, só com Felipão, apesar de sua folha pregressa – desde a conquista do Mundial de 2002 – não o credenciasse a nada. (A não ser sua forte personalidade., que, juntamente com Parreira, outro ex-campeão do mundo, blindariam a dupla Marin-Marco Polo ao longo da Copa no Brasil.)

Conseguiu perder uma Eurocopa com a maior geração de craques da história de Portugal (Figo, Rui Costa, Cristiano Ronaldo e cia.) para a modestíssima Grécia, em pleno estádio da Luz, em Lisboa. Passou de passagem pelo Chelsea de elenco milionário e cofre sem fundo e conduziu o Palmeiras à Segundona do Brasileirão, pulando do barco pouco antes de ele afundar de vez.Ah, sim, ganhou uma Copa do Brasil, a exemplo do que fizera anos antes com o Criciúma.

Isso, porém, são águas passadas. O que importa é saber quem vem lá.

Montagem sobre fotos Gazeta Press e Divulgação

Qual dos três?

Fala-se em três nomes: Tite, Muricy, e, creia, Luxemburgo, que está há um bom tempo na moita, só esperando pra ver o que cai em sua horta.

Dos três, Luxa é o único que já dirigiu a Seleção Brasileira. E, com algum sucesso, quando conquistou uma Copa América com um futebol bonito e eficiente. Caiu, porém, nas graças de uma manicure e na desgraça das Olimpíadas.

Ao mesmo tempo em que, dos três, tem sido aquele capaz de fazer seus times jogarem mais de acordo com nossas tradições, é o mais rejeitado pela mídia, por conta de seu temperamento.

Muricy é trabalho, meu. E transparência. Teria sido o substituto de Dunga, caso aceitasse o convite feito por Ricardo Teixeira (argh!). Mas, falou mais alto a honra pessoal.

Por fim, Tite, o mais palatável de todos junto à opinião pública neste momento. Bem articulado, ainda que muitas vezes prolixo naquele titês que  mais esconde do que revela, carrega a bandeira da conquista do Mundial de Clubes pelo Corinthians, clube de massa. Além do mais, posa, mesmo sem querer, de vítima da maior injustiça cometida por um cartola nos últimos tempos – sua demissão do Corinthians. E o brasileiro adora compadecer-se de uma vítima!

O fato e que Tite, um cara inteligente, parece estar se preparando para essa missão maior desde que saiu do Parque São Jorge. Andou por aí pesquisando, estudando futebol, segundo consta, o que já seria um grande avanço para essa categoria profissional, de hábito, tão autossuficiente como avessa ao conhecimento.

Enfim, a qual dos três Marin dará a mão? O jeito é esperar o verso final da velha cantiga.

Êpa!

Acabo de ver e ouvir na Espn meu querido PVC, sempre bem informado cronista, anunciar que Marin estaria disposto a manter Felipão no comando da Seleção, pelo menos, nos próximos dois ou três jogos amistosos que restam pra fechar o ano.

Será? Bem, confesso que conhecendo a cabeça dos nossos cartolas tudo pode sair dali, até o impossível.

No caso, seria perfeitamente admissível e até desejável, se realmente tudo se resumisse aos célebres seis minutos de apagão. Isto é:o time viesse jogando bem, envolvendo seus adversários, vencendo com categoria seus adversários até cair naquele buraco negro, de súbito.

Mas, não foi o que aconteceu. Ao contrário: viemos jogando mal o tempo todo. Ganhamos, sim, mas aos trancos e barrancos. Nem tanto pela falta de qualidade dos jogadores, que estão espalhados pelo mundo nos melhores centros futebolísticos, devidamente valorizados e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, sim, pela absoluta falta de um jogo coletivo minimamente aceitável, esparso em suas linhas, sem criatividade e dependendo exclusivamente das arrancadas e gols de Neymar, das bolas paradas ou dos chutões lá de trás dos beques.

Sou dos que consideram que um técnico de futebol representa não mais que 20 por cento de um time. Nesse percentual entra a capacidade de aglutinar o elenco e motivá-lo, no que Felipão é mestre. Mas, sobretudo, entra a capacidade de juntar, tática e tecnicamente, a equipe em campo. Isso implica na escolha correta dos jogadores para cada função, na execução de treinamento adequado para que todos os setores atuem em conjunto e tenha a percepção ideal para fazer as devidas substituições, quando necessárias. Nisso, Felipão sempre foi muito deficiente.

Prova disso é que esse time, incluindo a fase da conquista da Copa das Confederações, embora formado pelos mesmos integrantes, só naquele jogo decisivo contra a Espanha conseguiu convencer. E, sim, no primeiro tempo contra a Colômbia. De resto, foi a mesma inhanha.

Portanto, insistir com Felipão será insistir com o desastre.

 

24 comentários

  1. Meu prezado Alberto Helena Júnior; Muricy medrou quando foi convocado para defender a Seleção. Entenda que, mesmo com a derrota vexatória, a Imprensa tem culpa. Disse que o Felipão era o melhor e que havia convocado certo, guardada uma ou duas exceções. Parem de crucificar a Comissão Técnica. Se o Brasil tivesse ganho, os Senhores estariam tentando uma entrevista com o Felipão. Tite é um retranqueiro. O melhor dos três é o Luxemburgo, mas assim que ele entrar, o Senhor por alguns erros será o primeiro a atirar-lhe pedras.
    João Bosco de Barretos (Chutar cachorro morto é fácil-Engenheiros de Obras prontas).

    1. Companheiro, me desculpe,..se quer retranca maior que as que praticaram Holanda e Argentina,…Hoje o futebol exige isto. Felipão ousou abrir e tomou de 7, isto porque a Alemanha desacelerou, poderia ter sido demais. Hoje não se pratica mais futebol como antigamente. Antes Ronaldo Fenômeno tinha uma constelação ao seu lado para ajuda-lo (2002) em 94, Romário e Bebeto estavam em estado de graça e tinha uma retranca capitaneada por Dunga, 1982 Uma constelação com Zico e cia. perdeu a Copa da Espanha, antes em 1970, Pelé, Rivelino, Tostão, Gerson, Jairzinho, Clodoaldo. Tínhamos time e podíamos soltar as feras. Hoje só Neymar e ninguém mais. Abço.

      1. Helena, creio que a seleção Brasileira está órfã de técnico. Hoje infelizmente não temos nenhum “professor” a altura para comandar nossa seleção. E o que mais me entristece é saber que uma geração de bons jogadores pode se perder por falta de comando.

  2. Futebol ‘e ganho no meio de campo, pois um meio de campo solido, bem organizado, criativo, consegue proteger bem a defesa, e servir bem o ataque. A selecao Brasileira nao tem meio de campo nessa copa do mundo, e isso ficou evidente nessa ultima partida contra a Alemanha ( Partida ??? Nao-nao, no treino de luxo dos alemaes). Tomar 4 gols num espaco de ONZE minutos, ‘e algo inaceitavel, tratando-se de uma SELECAO NACIONAL. Emocional e psicologicamente essa selecao nao estava bem, ( pior agora), e mais uma vez vemos as lacunas que foram devidamente preenchidas pelos alemaes, 7 vezes, diga-se de passagem. O Tite seria uma boa, caso realmente esteja atualizado, acompanhando a estrutura tatica das equipes em nossa atualidade. Luxemburgo nem pensar, Muricy tambem nao. A verdade ‘e que estamos carentes de bons treinadores, de profissionais atualizados, em reais condicoes de montar uma selecao competitiva, criando uma equipe apta a disputar qualquer competicao, e nao um agrupado de jogadores, que dependem dos lampejos de um ” menino ” de 22 anos. A derrota nem sempre ‘e o problema maior, mesmo porque, ganhar ou perder, fazem partes do ” Show”, o problema ‘e a maneira de como essa derrota ‘e imposta, como ele poderia ter sido evitada, e agora, como podemos evita-la em um futuro proximo.

  3. Desculpe Caros entendidos do futebol… acredito que no Brasil não tenha nenhum nome para essa função…trocar o Felipão por qualquer um desses nomes é simplesmente 6 por meia dúzia… O Felipão fez um bom trabalho é uma equipe nova com uma pressão gigantesca para ganhar a copa em casa… acho que o felipão tinha que ser mantido…temos que parar com essa coisa que o Brasil tem de só culpar o técnico. O futebol brasileiro em horrível a muitos anos…o campeonato brasileiro é deplorável, a qualidade técnica é baixissima… acho que o Brasil precisa evoluir …começando por vcs da mídia…

  4. Com a atual cupula da CBF, ha somente um nome capaz de ressuscitar o nosso futebol:
    JESUS CRISTO
    Se e que ELE merece passar por isso.
    Tecnico não e a causa raiz!!! Sabemos que e na cupula da CBF.
    Sr Alberto Helena, sabe algum meio (concreto) de haver a possibilidade de termos pessoas que de fato possam gerir nosso futebol, ou encerrar as atividades da CBF e criarmos uma outra entidade para gerir nosso futebol?

  5. O mais gabaritado no momento é o Tite.
    Mas, pelo amor de Deus, sem a interferência de “empresários” na hora da convocação.

    1. Eu prefiro o Muricy, o técnico brasileiro mais vitorioso; o Tite já fez pesadas criticas ao Neymar, o nosso principal jogador, o que dar para intuir futuros desentendimentos; o Luxemburgo, por sua vez, está superado.
      Um técnico estrangeiro nem esquentaria o lugar por motivo das cobranças por parte da imprensa e da torcida, sempre impacientes, visto que teremos Copa América e eliminatórias pela frente.

  6. contrata o mourinho, os tecnicos brasileiros sao incompetentes e ultrapassados !!!! o mourinho tem o idioma e modernizaria o futebol brasileiro !!!!

  7. Sou simpatizante dessa coluna, gostaria que os senhores proibissem os palavrões que são escritos. Esse quadro é para manifestação sadia sobre esporte. Certamente tem esposas e filhas de muitos leitores que acompanham as notícias. Logo, devemos ser educados e respeitosos. Obrigado.

    1. Desculpe, Juarez, mas não verifiquei nenhum palavrão neste blog.Algum pode ter escapado. Vale, porém, como advertência, embora, creio, nossos leitores. são civilizados o suficiente.

  8. Eu iria de Marcelo Oliveira, encerrou a primeira parte do Brasileirão como líder, e no ano passado montou o time inteiro do Cruzeiro, saiu do zero e conquistou com folga o Brasileirão e antes disto, com times medianos pra fracos chegou duas vezes as finais da Copa do Brasil, somente os competentes conseguem isto, e contra o Palmeiras do Felipão lá em São Paulo, se não é uma ajuda do juiz na ocasião o Marcelo teria levado aquela também. Apesar de novo no circulo iria com ele e como tem dito nosso amigo, e tenho dito.

  9. Alberto, bom ler os seus textos aqui na gazeta esportiva. O senhor sabe contar histórias como poucos. Mas me permita discordar, o Luxa está ultrapassado faz tempo. Aquele técnico dos bons tempos de Palmeiras acabou. Morreu quando o ego subiu a cabeça, mesmo problema do Felipão. O melhor mesmo seria a saída do ladrão de medalhas por algo menos pior. De técnico, fico com o Tite. Retranqueiro, mas soube arrumar um time mais ou menos e aprendeu a linguagem dos manos no Corinthians e olha que sou Palmeirense. Acho que o único que ganhou nessa copa foi o Corinthians mesmo, que desgosto.

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