
Kaká nasceu no Morumbi de onde partiu sob vaias de uma torcida que teve de se calar quando o viu levantar a taça de melhor do mundo no Milan um ano depois.
Foi a mais súbita adaptação de um jogador brasileiro ao futebol europeu. Bastou entrar em campo com a camisa rossonera e ganhar não só a posição de titular como o de último grande ídolo do clube.
A propósito, lembro um papo que tive com Kaká antes da Copa da Alemanha, na Granja Comary, quando lhe sugeri que desse uma guinada progressiva em seu jogo. Ou seja: substituir as arrancadas do meio de campo, já prejudicadas pelas lesões persistentes somadas ao avanço da idade, por uma ação mais contida, feita de passes e visão de jogo, que também faziam parte de seu repertório.
Kaká foi enfático: “De jeito nenhum!”
Calei-me, então.
Voltando à vaca fria, devido aos desvarios do fascistóide Berlusconi, dono do Milan e da Itália à época, antes de ser condenado à galera, transferiu-se para o Real de Mourinho, onde afundou ao peso de uma lesão que já havia prejudicado seu desempenho pelo Brasil no Mundial anterior e dos maus bofes do técnico português.
Bem que tentou se recuperar no Real, em vão. Voltou, então, ao Milan, festejado. Mas, esse era outro Milan, outros tempos, e só lhe restou assinar com o Orlando, da Major League americana, um espécie de cemitério dourado de elefantes, com direito a um estágio de seis meses no São Paulo.
Desta vez, carente de ídolos e um tanto envergonhada, a torcida certamente o receberá com aplausos.
Mas, como Muricy o encaixará na equipe que já tem um elenco de prestígio, nem por isso igualmente eficiente? Lá estão, do meio de campo pra frente, Ganso, Alan Kardec, recém-contratado, Luís Fabiano e Pato. Quem se habilita a cair fora?
Sim, porque Muricy, como todos os treinadores brasileiros das últimas duas décadas, não abre mão de uma formação com dois volantes (no caso, Souza e Maicon ou Denílson). Restarão, pois, cinco para quatro posições. Isso, sem falar naquele atacante de velocidade e dribles, sempre indispensáveis no futebol atual, como Oswaldo, por exemplo.
Quero ver.
Por fim, jogariam os cinco, se o amigo quer sabe, com Souza, como único volante, de acordo com os mais modernos esquemas do mundo. Mas, podem me chamar de romântico.