
A vitória de Lewis Hamilton ontem no GP de Abu Dhabi encerrou uma das temporadas mais previsíveis em termos de resultado final: pouca gente duvidava do título do piloto da Mercedes já a partir do início da temporada europeia, entre maio e junho.
Por outro lado, é injusto dizer que a temporada 2019 será lembrada por sua monotonia. Pelo contrário, o ano foi marcado por diversas corridas bem emocionantes, em especial a sequência que encerrou a primeira metade do campeonato e iniciou a F1 pós-ferias de verão na Europa, como Áustria, Alemanha, Hungria, Spa e Monza.
O GP do Brasil, disputado em Interlagos no mês passado, também foi um dos mais emocionantes e de final imprevisível até as voltas finais, e consagrou dois pilotos com motores Honda fazendo uma impensável dobradinha (Verstappen com Red Bull e Pierre Gasly com Toro Rosso).
Se a Mercedes de Hamilton e Valtteri Bottas sobrou em 2019, dá para lembrar de vitórias épicas da Red Bull de Verstappen – além desta já citada em São Paulo, o holandês presenteou sua fanática torcida laranja com um show em Budapeste. E o que dizer do primeiro triunfo de Charles Leclerc na F1 com a Ferrari em Spa e, na semana seguinte, levando os tifosi a completa loucura com uma vitória em Monza. Mais um momento épico de 2019.
Vettel teve um ano para ser esquecido, mas também protagonizou um ótimo duelo contra Hamilton no Canadá, onde foi injustamente punido por uma manobra em que acabou perdendo a vitória na pista ao ter seu tempo acrescido em cinco segundos – a imagem dele levando a placa de número 1 para o espaço que seria de seu carro ficou já para a história da F1.
E o que dizer da briga na “F1 B”, em que a McLaren mostrou que tem tudo para voltar a ser uma equipe de ponta e levou o merecido título fora do trio-de-ferro Mercedes, Red Bull e Ferrari. A jovem dupla da equipe, Carlos Sainz e Lando Norris, mostra que o futuro da F1 também passa por esta geração que certamente terá Verstappen e Leclerc no comando nos anos futuros.
Pois é, Hamilton já está há 13 anos na categoria e cada vez verá a ascensão de jovens talentos a cada ano. Mas ninguém espera aposentar o inglês ainda, tanto que já começarem a especular seu nome para a Ferrari em 2021… Como a maioria dos contratos da F1 acaba no final de 2020 (justamente porque era o final do Pacto de Concórdia), o ano que vem será movimentado nos bastidores.
Para o Brasil, a temporada em que tudo muda na F1 (incluindo o regulamento, todo novo em 2021) também pode significar novas perspectivas com Pietro Fittipaldi fortalecendo seu espaço na equipe Haas, onde atualmente é piloto de testes, e Sergio Sette Camara, que, com uma brilhante vitória neste final de semana na F2, assegurou sua Super Licença e segue com vínculo com a equipe McLaren.
Que venha então 2020 e a grande expectativa para a revolução em 2021. Esperamos que a próxima temporada continue com corridas imprevisíveis e emocionantes, como aconteceu em boa parte deste ano, mas que, desta vez, a disputa pelo título seja bem mais atraente.
Em todo caso, já temos um bom palpite para o ano que vem: a temporada deve entrar para a história consagrando Hamilton como o maior vencedor da história da F1. O piloto da Mercedes precisa vencer mais 8 GPs para ultrapassar Michael Schumacher e atingir 92 vitórias, um número que parecia impossível dez anos atrás. Vale lembrar que Hamilton, desde a nova era híbrida, em 2014, venceu pelo menos 10 GPs em cada uma destas temporadas…
