
Aí, então, o amigo se depara com a manchete virtual: “Timão derruba Fortaleza e é líder do Brasileirão”.
Nossa! Quer dizer que o Corinthians, cheio de asas, sobrevoa os campos tupiniquins , acima das nuvens, além de qualquer expectativa mais esperançosa?
Nada disso. Tudo é muito circunstancial.
Reveja o tape do jogo contra o Fortaleza, em Itaquera, desta tarde de domingo. Verá, então, que o Timão foi subjugado ao longo de todo o primeiro tempo, quando os cearenses dispararam à meta alvinegra mais de 16 vezes contra zero. Cássio, que falhou no gol anulado do inimigo, fez, por baixo, três defesas providenciais e tal e cousa e lousa e maripousa.
Nesse período do jogo, o Corinthians era um ajuntamento descoordenado de jogadores, sem rumo nem ciência, enquanto os cearenses se distribuíam bem em campo e controlavam a bola e o espírito do jogo.
Eis que o Timão voltou para o segundo tempo com uma mudança absurda sob qualquer ótica: o zagueiro Raul no lugar do meia-armador Renato Augusto, que, embora isento até então no jogo, sempre poderia arriscar um daqueles disparos fatais de fora da área que lhe são peculiares.
Mas é quando os deuses da bola resolvem intervir com aquele sorriso sardônico de hábito, e, logo aos 8 minutos, na sequência de cobrança de corner da direita, bola alçada que é desviada de cabeça, contra, por Jussa.: 1 a 0.
Lance gêmeo que haveria de ocorrer no último instante de partida quando João Vítor cabeceou pra trás em direção a seu próprio ângulo, pra nova defesa sensacional de Cássio.
Entre um e outro, o Corinthians, sobretudo depois das entradas de Jô e Mantuan, e sob os auspícios de William, autor das melhores jogadas da partida, levantou a fronte e passou a existir de fato em campo.
Já o Fortaleza, depois do gol tomado, se descontrolou e só foi reagir no finalzinho, em vão.
Bem, como diz o ditado, as aparências enganam. Mas, neste caso, quem sabe o Timão não ganhe o moral que possa mantê-lo à tona, contra suas próprias deficiências táticas e técnicas?